Após 20 anos no ramo calçadista, João*(nome fictício), 40, resolveu procurar um novo emprego em busca de mais estabilidade. Encontrou na função de frentista o que procurava e um melhor rendimento, mas desde então passou a conviver com o risco de ser vítima da violência durante o trabalho. “Sempre foi tenso. Não podia ver uma dupla de moto ou trio a pé que já ficava com medo”, disse ele.
Na madrugada do último dia 27 de março, o que o frentista tanto temia aconteceu. Por volta das 1h30, ele estava sozinho no posto em que trabalha (o colega de turno estava no horário de intervalo para jantar), no Jardim Consolação, quando três indivíduos apareceram e anunciaram o assalto. O trio chegou armado e com blusas encobrindo o rosto e pediu para João se deitar no chão. “Deitei e um deles começou a me revistar e pegou o dinheiro. Depois, mesmo com o dinheiro em mãos, pediu mais e ao responder que não tinha, ele perguntou se tinha certeza e chutou o meu rosto”, disse o funcionário. O chute acertou a boca do frentista, que teve dois dentes quebrados.
A agressão durou poucos minutos e aconteceu enquanto os outros dois envolvidos revistavam a gaveta do caixa em busca de mais dinheiro. Câmeras de segurança registraram toda a ação. O colega de trabalho de João estava na cozinha do estabelecimento e nada viu. “Depois que viram que não tinha mais dinheiro, os três saíram correndo e eu fiquei ali deitado. Em seguida levantei meio cambaleando e fui procurar ajuda”, relembrou a vítima.
Desde o roubo, o frentista está afastado do trabalho e, embora a família peça para que mude de profissão, ele não vê outra alternativa a não ser voltar para o posto. “Dá um sentimento de revolta, a gente fica pensativo, mas vou tentar outra vez. Preciso do trabalho”. João tem uma filha de um ano e meio e é casado há cinco anos.
Para ele, trabalhar com mais pessoas ou fechar os postos mais cedo, às 22 horas durante a semana e a meia noite aos sábados, domingos e feriados, como proposto pelo sindicato da categoria, não resolve o problema da violência. Em menos de uma semana, foram registrados quatros ações do tipo em Franca. Em uma delas, ocorrida dois dias após o assalto ao posto no Jardim Consolação, outro frentista foi agredido. Dessa vez, no Jardim Noêmia. “Sou contra fechar os postos mais cedo, pois resultará em demissões. A solução seria colocar seguranças armados em todos os postos e a polícia reforçar o policiamento”.
Em nota, a Polícia Militar informou que “está realizando uma série de operações pela cidade, voltadas ao combate de roubos e furtos nos locais com maior incidência criminal e onde se verifica maior concentração de transeuntes, estabelecimentos comerciais e postos de combustíveis”.
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