Nos últimos dias, o Palácio do Planalto, o PT e líderes da base aliada estão sustentando uma polarização do tipo ‘nós contra eles’ que começa a se tornar nociva à democracia e à vida do País. Ser contra ou a favor do impeachment de Dilma Rousseff (PT) não pode exacerbar as discussões e nem levar ao confronto, que não interessa aos brasileiros mas parece conter uma motivação oculta. Ninguém sabe a quem ela interessa e de que forma pode impactar no futuro do Brasil. As opiniões radicais criam um clima de violência que pode causar danos irreversíveis aos brasileiros e uma ameaça à democracia. O clima está pesado, depois que o presidente do PT, Rui Falcão, e líderes de entidades ligadas à legenda anunciaram uma ‘guerra’ caso o processo de impedimento da presidente progridisse no Congresso.
Não é desta forma que se conseguirá barrar a ação, já em curso. Muito menos insistindo na tese de que um impeachment é um golpe, o que se tornou um mote daqueles que defendem a manutenção de Dilma na presidência da República. Esta tese, aliás, é risível, alimentando uma pantomima que se torna enfadonha pela repetição exaustiva. A cada oportunidade, a presidente Dilma, seus aliados e companheiros de partido discursam tentando convencer que não houve crime de responsabilidade nas ‘pedaladas fiscais’ (quando bancos oficiais cobriam débitos do governo com programas sociais ou com pagamentos da Previdência com recursos próprios). Por causa da maioria tranquila que tinha no Congresso, a presidente livrou-se de outra acusação de crime, já que deputados e senadores permitiram que a meta fiscal fosse modificada, mantendo-se um déficit nas contas públicas que afronta a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Percebe-se que há interesses ocultos por trás do fomento deste confronto. Não existe, até agora, qualquer indício de que a Constituição Federal esteja sendo afrontada ou ignorada neste caso. O Brasil espera que, assim como aconteceu com Fernando Collor de Mello (hoje senador pelo PTB), o processo siga até o final levando o País de volta à normalidade. As crises política e econômica, como já ressaltamos por aqui, estão deixando uma Nação grande como a nossa em compasso de espera, sem qualquer possibilidade de retomar o crescimento em curto prazo. O confronto que se prega não interessa aos brasileiros e muito menos será benéfico ao nosso futuro. O Brasil exige que todos os processos abertos hoje, seja o do impeachment de Dilma, seja o da cassação de Eduardo Cunha (PMDB),seja o das ações criminais contra a corrupção, tenham um final satisfatório. Do contrário, estaremos dando vários passos para trás sem possibilidade de avançar nos próximos anos.
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