O país está à beira de mais um momento histórico relevante. Independente de Dilmas, Lulas, Cunhas e Calheiros e seus correspondentes no Executivo e Legislativo, temos que rever nossa forma de conviver com partidos e política. Franca deu ao Ministério Público Federal 28,8 mil assinaturas em apoio a leis que o órgão quer ver aprovadas no Congresso Nacional para endurecer o combate à corrupção. Em números absolutos, vencemos a cidade de São Paulo. Em números proporcionais, Franca foi a segunda cidade do interior do país que contribuiu ao propósito, segundo o procurador da República Wesley Alves.
Gente de bem tem que falar, gritar, espernear, para fazer diferença. Ficar em silêncio é concordar com as indecências que políticos que elegemos praticam para se beneficiar. Não é segredo que a maioria deles opta pela vida pública pela possibilidade de enriquecimento rápido, sem suar com trabalho de verdade. Conheço quem conseguiu se eleger vereador apenas pelo ganho polpudo sem trabalho duro. Sabemos também de políticos que, perdendo eleições, não retornam ao trabalho duro do dia a dia porque ‘companheiros’ cuidam deles daí em diante. Há raríssimos que, por decência e desilusão, deixam a política e explicam as razões. O problema é que nosso povo tem memória curta, derivada do gosto explícito em levar vantagem em tudo. A explicação é similar ao ‘não sei de nada’ de Lula: “Não adianta cobrar políticos. Não vão mudar. A gente vai levando’.
Sim. Vamos levando. À urna voltamos por obrigação — ‘Saco! Mais um feriado perdido!’ — e reelegemos os mesmos, apesar de sabermos quem são. ‘Por gozação’ continuamos escolhendo quem não é bom, ‘mas é esperto’. Há quem se sinta bem representado por esses.
Certo é que perdemos a vergonha. É possível não se indignar com a pública oferta de cargos por votos que o PT está praticando? Ou com o desembarque do PMDB do poder só para não naufragar junto com o PT, como se nada tivesse a ver com o cenário que ai está? Partidos e políticos se tornaram todos iguais, nivelados por baixo. Alguns têm mais capacidade retórica para enganar mais e melhor que outros, mas repito, são todos iguais.
Incomoda conjeturar sobre o que virá. Dói saber que nosso povo apoiará o projeto de poder, seja qual for, que substituirá o que hoje nos apena, e a razão é simples: está na genética histórica do brasileiro, o ‘Mateus, primeiro os teus’. Que ninguém se engane. Todos, mais cedo ou mais tarde, pensam assim de quando em quando. Aliás, cada vez mais de quando em sempre.
Bando identificado: Rapaz atacado por bando, ficou sem a orelha. Deveria voltar a valer o Talião: orelha por orelhas... dos do bando. Democratizem as leis! Que criminosos não saiam mais das delegacias pela porta da frente!
Vagas ‘especiais’: Nas vagas de deficientes físicos e idosos quem estaciona são saudáveis e jovens. Lei e vagas são mentirosas. Plantemos fores, no lugar.
Esperteza: No ‘Rodosnack Coral’ de Pirassununga (SP), via Anhanguera, cobraram R$ 36,54 por três fatias muito pequenas de melão, três de mamão e duas de queijo. No ‘Frango Assado’, de Atibaia, km. 66 da Dom Pedro I, R$ 10,40 por ‘pingado’ e pão com manteiga. Tenho foto e notas fiscais.
Mais esperteza: Usuários de telefonia continuam sendo atormentados pelo ‘Alô, você está me ouvindo?’ que gera recados na caixa postal e faz o usuário pagar para saber quem ligou. Para mim, é golpe, mas a Anvisa dirá que nunca, na história deste país, soube de nada.
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.