Eduardo Dagher


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Eduardo Dagher foi sepultado dia 24 de março, no Cemitério da Saudade.
Eduardo Dagher foi sepultado dia 24 de março, no Cemitério da Saudade.

‘Aprendemos com ele o valor do trabalho e a importância do respeito que dedicava a todos com os quais convivia’

Morreu às 7 horas do dia 24 de março, no Hospital Regional de Franca, o tradicional comerciante do bairro Vila Nova, de Franca, Eduardo Abrahão Dagher. Tinha 95 anos. Vinha sendo cuidado há quase 5 anos pela filha Silvia, na residência dela. Às 6 horas daquele dia, Silva foi administrar-lhe alimentação por sonda, percebeu que ele não estava bem e acionou a Prontomed. Após procedimentos de urgência, foi transferido ao hospital, mas não sobreviveu à parada cardiorrespiratória.
 
Enfrentava debilidade física e mental própria da idade. Além disso, vinha de duas quedas, uma em 2011, com fratura do fêmur da perna esquerda, cirurgia com recuperação que gerou embolia pulmonar e parada cardiorrespiratória. “Ele foi salvo pela competência dos médicos”, disse a filha, que completou: ‘mas enfrentou outros problemas logo na sequência, que minaram muito de sua saúde. Primeiro, foi a morte de minha irmã, no mesmo ano. Cem dias depois, a morte de mamãe. Ele nunca se recuperou destas tragédias”.
 
Este ano, nova queda, com fraturas do fêmur da perna direita e cotovelo. “Estimulada por meu marido, levei papai para ser cuidado em minha casa. Tudo ficou ainda mais difícil quando meu marido também se foi, no mesmo ano. Enfrentamos uma sucessão interminável de tristezas, e ele, profundamente sofrido, ainda conseguiu ser colo para mim”, disse Silvia.
 
Eduardo era francano, filho de Abdala e Nisa Bachur Dagher. Casou-se com a uberabense Deonita Rinaldi Dagher e viveram 68 anos de casamento até a morte dela, em 2012. Do enlace, duas filhas (Silvia, viúva do industrial Hermann Salloum; e Nancy Helena, falecida), cinco netos (Alexandre, gerente do banco Itaú, agência central de Franca, casado com Madalena; Adriana, casada com João Neto; Daés, casado com Janaina; Eduardo, casado com Ana Lúcia; Simone, casada com Antônio José Porto Júnior), nove bisnetos (Priscilla, Cristina Helena, Leonardo, João Vitor, Larissa, Maria Júlia, Eduardo Filho, Felipe, Maria Fernanda), e um tataraneto, Alexandre.
Fez, no Colégio Marista Champagnat, de Franca, estudos fundamentais e médio. Após o casamento, recebeu convite do pai, comerciante de secos e molhados em São José da Bela Vista, para se mudar e participar do negócio da família.
 
Mais alguns anos, a família decidiu retornar para Franca. O avô, Abdala, abriu armazém na rua Voluntários da Franca. Eduardo quis ter seu próprio negócio e o fez, no mesmo ramo, à rua Francisco Marques, 350, bairro Vila Nova. Corriam os anos 50. Alcançou sucesso com sua capacidade de atrair e bem servir clientela. A filha Silvia se recorda da facilidade do pai em conquistar amizades e respeito, o que acabou resultando na aproximação dos comerciantes da região, pela melhoria de seus negócios. “Foi quase um clube de comerciantes. Lembro do Alberto Dermínio, Emílio Peres Peres, Antônio Algarte, do Lourenço da Farmácia, do José da Mola, de ‘seu’ Afonso da Sorveteria, do Rubens do Bar, do casal Alípio e Dora Micheletti, do Açougue. E não queriam só conversar. Foi mais. Formaram uma quase família. Eles se encontravam nas ocasiões de festas, casamentos, aniversários. Os filhos deles eram nossos amigos mais próximos. Foi um período muito feliz de nossas vidas”, disse Silvia.
 
Era também um tempo de confiança entre comerciantes e seus clientes. “Papai concedia fiado na caderneta e ninguém ‘fintava’’’, disse a filha, rindo com a lembrança das palavras da época. “Papai era um homem honesto, cumpridor de seus deveres, e essa retidão foi sua principal herança para nós. Aprendemos sobre o valor do trabalho, integridade nas relações com as pessoas, sobretudo com o respeito que dedicava a todos com os quais convivia. Ele nos amava e fazia questão de demonstrar isso, mesmo em público, e em todas as oportunidades. Coube-me cuidar dele depois das tristezas que se abateram sobre nossa família e no fim de sua vida. Fiz o que pude. Faria mais e faria de novo para que ele se sentisse amado e cuidado. Ficam a saudade e seus exemplos”, disse Silvia.
 
Dentre os que a ajudaram a cumprir a tarefa, ela se lembrou de Idalino de Jesus, Fátima, Leia, Maria ‘Menininha’, Ronaldo, Ivonete, Maria Pereira, Solange, Cidinha Alves. “Agradeço muito a cada uma dessas pessoas. Nós, da família, devemos muito a elas.”
 
Eduardo foi velado no São Vicente de Paulo e sepultado no Cemitério da Saudade, às 16 horas do dia 24, com serviços da Funerária Nova Franca.

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