“Oi, meu nome é Nina. Você me dá um pouco de atenção? Quero te contar minha história”. Assim, com a apresentação da personagem central, começa um vídeo emocionante, que está repercutindo nas redes sociais. Vale a pena assistir. Impossível não se emocionar.
Nina é uma cachorra sem raça definida, nascida em janeiro de 2014. Foi encontrada na rua. Depois de três meses sendo tratada por uma “tia boazinha”, como se referem no vídeo à voluntária que a acolheu, foi levada para o canil municipal. “Dizem que lá é um lugar muito bom e que logo vou encontrar uma família para amar e ser amada”, diz uma das legendas das imagens que narram em primeira pessoa (ou em primeira cachorra) a triste história de Nina.
Ao invés de ganhar um novo lar, a cachorra colecionou doenças. Primeiro, foi um problema na pata direita. Fotos ilustram o sofrimento de Nina. “Nossa, são tantos bichinhos na minha patinha que nem consigo contar”.
Graças à tia bondosa de uma clínica veterinária, que cuidou dos ferimentos sem cobrar nada, a pata de Nina melhorou. “Vou ter que voltar para o canil, mas não queria voltar para lá não”. Voltou e sofreu. Quatro meses depois, a cachorra continuava no canil. Nunca recebeu visitas. Sua situação piorou. “Estou dodói de novo, minha patinha piorou. Vão me levar para a clínica daquela tia boazinha. A tia, quando me viu, chorou”.
Fotos explicam o porquê das lágrimas da veterinária. Muito machucada, a perna dianteira direita teve que ser toda amputada. “Será que agora que sou diferente alguém vai querer me adotar? Bom, mas se não der certo para mim, pelo menos que adotem meus amigos aí na frente. São todos do canil municipal”.Em seguida, o vídeo exibe imagens de cães magros, doentes e passando fome no canil. “A gente parece que não está bem né? Mas, é só impressão”, ironiza Nina.
A ironia foi usada para rebater a afirmação do Ministério Público de que o canil municipal é modelo. “A promotoria do meio ambiente diz que faz tudo para a gente ficar bem”. No vídeo, novas imagens mostram que o local, na verdade, está longe de ser um exemplo de bom atendimento.
A legenda do vídeo conta que, depois de quatro meses no canil, Nina foi internada em uma clínica particular apresentando caquexia, desidratação, baixa imunidade, febre, lesões cutâneas, fúngicas e bacterianas. Também tinha uma ferida infectada com larvas e exposição óssea.
Carrapatos, dermatite de focinho e ao redor dos olhos. Não foi só. Ela também contraiu lesões no ouvido, infecção intestinal, anemia, desnutrição, prostração, apatia, dor, depressão, ansiedade e fome. “Tudo o que foi exibido no vídeo, laudos e exames foram encaminhados ao Ministério Público em julho de 2014, mas até hoje nada mudou, o canil funciona do mesmo jeito”, conta o advogado Jean Marcelly Rodrigues Rosa.
Ele faz parte de um grupo de pessoas protetoras dos animais que se uniram e criaram uma página no Facebook, denominada “Acorda Ministério Público - Vem Pra Rua Quem Ama e Respeita”.
A página tem o objetivo de convocar a população para um manifesto que será realizado neste domingo, às 8 horas. O grupo sairá da praça central e seguirá até a sede do Ministério Público, na avenida Presidente Vargas, onde será concentrado o protesto para chamar a atenção das autoridades. “Esperamos reunir o máximo de gente possível. As pessoas podem ir de carro, bicicleta, caminhando, com cães, enfim, do jeito que quiserem. O importante é mostrar para o Ministério Público que ele está muito enganado. A situação lá no canil é muito ruim”.
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