Quem esperava um desfecho diferente, se frustrou. Ontem, uma mensagem de texto da ministra Kátia Abreu (Agricultura) a um interlocutor não identificado foi fotografada, durante um evento oficial. Nela a ministra diz que os seis ministros peemedebistas — até Eduardo Henrique Alves, do Turismo, que já pediu demissão — vão se manter no governo, licenciando-se do partido. A decisão, tomada durante um encontro com o presidente do Senado Renan Calheiros, um dos mais ativos defensores da manutenção do partido na base aliada, vai totalmente contra a orientação da legenda de que todos os seus filiados desembarcassem do governo. Como se pode perceber, o PMDB continua a velha legenda de sempre, com os dois pés fincados no fisiologismo, apoiando sempre o governo de plantão.
Nos últimos 20 anos, o partido — criado a partir do combativo MDB opositor durante a ditadura mililar e cuja dissidência, que não concordava com os rumos da legenda logo no início da redemocratização, formou o PSDB — tem transitado com desenvoltura no núcleo do poder, em Brasília, sempre contando com o peso de sua bancada no Congresso, que ainda hoje é a maior. Por isso, não é de se estranhar que os ministros peemedebistas resistam em abandonar a Esplanada dos Ministérios. E, também por esta razão, o Planalto ainda conta com as defecções de seu principal aliado até aqui. O PMDB, em que pese a possibilidade de Michel Temer assumir a presidência da República no caso de um impeachment de Dilma Rousseff (PT), ainda conta com um grande número de descontentes com a decisão de anteontem e, pelas características do partido, não é possível sinalizar alguma coisa por ora.
Enquanto a presidente Dilma, auxiliada pelo ex-presidente Lula, e o vice Temer trabalham em frentes opostas, contra e pró-impeachment respectivamente, os balcões de negócios estão abertos no varejo de Brasília. O PT da presidente pretende ampliar a presença de pequenos partidos nos principais escalões do governo, além de contar com os infiéis do antigo e forte aliado para barrar o processo já aberto na Câmara e o PMDB busca conseguir unanimidade entre seus membros para derrubar Dilma. Onde isso vai dar, ninguém sabe. Porém, com certeza, qualquer lado que vença esta queda de braço, quem sairá perdendo nesta contenta é o Brasil. Ainda mais quando se vê nitidamente que a crise econômica se aprofunda e especialistas apontam para uma recuperação lenta, mesmo tomando-se medidas drásticas, com o governo cortando na própria carne. Este imbróglio deverá demorar ainda um bom tempo, já que uma definição do Congresso sobre o impeachment sairá apenas em meados do mês que se inicia amanhã. Só depois disso é que o País poderá voltar a andar.
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