O pedreiro José Eurípedes Carvalho, morador na Vila Santa Teresinha, ainda tenta entender a morte de seu filho Rogério Carvalho, de 33 anos, ocorrida no último sábado, dia 26. Rogério morreu depois de uma cirurgia de urgência na Santa Casa de Franca. Antes, havia passado pelo Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” quatro vezes e uma vez na UBS do Santa Teresinha. Para seu pai, Rogério foi vítima de negligência.
O pedreiro conta que há cerca de dez dias seu filho, que era deficiente (tinha problemas motores e perdeu parte dos movimentos das mãos e das pernas), começou a ter febre. “Ele reclamou com a mãe. Medimos a temperatura e ele estava com 38 graus”, disse o pai.
Preocupados, os pais o levaram ao PS. Lá o rapaz passou pelo médico e fez exames que apontaram uma infecção. “Deram dipirona para ele no soro. A febre baixou e o mandaram para casa. A gente até estranhou porque o médico não mandou tomar nenhum remédio, mesmo com a infecção”, disse o pai.
Como não houve melhora, Rogério voltou ao PS. “Desta vez, eles fizeram uma lavagem no estômago dele. Ele dizia que estava com dores na barriga. Novamente o liberaram”.
O rapaz decidiu, então, procurar um clínico na UBS do Santa Teresinha. “O médico disse que a infecção continuava. Pediu uma ultrassonografia e passou antibióticos para ele tomar”. O exame foi feito no dia seguinte, mas como a febre aumentou, José resolveu levar o filho pela terceira vez ao PS. “Só medicaram ele. Não fizeram nenhum exame detalhado. Voltamos para casa outra vez.”
Dois dias depois, na tarde do dia 23 de março, o quadro do Rogério só se agravava. E pela quarta vez, ele foi ao pronto-socorro. Com febre acima dos 40 graus, o médico que o atendeu disse que ele precisava ser internado com urgência na Santa Casa.
Segundo seu pai, assim que chegou ao hospital, o rapaz passou por uma série de exames e foi levado para a sala de cirurgia. “Eles disseram que ele estava com problemas na bexiga e implantaram um cateter nele para que a urina pudesse sair”. No quarto, Rogério continuava a reclamar. Agora já não conseguia respirar direito.
O pai percebeu que, em vez de urina, o que saia pelo catéter era sangue. “Ficamos apavorados. Chamamos o médico, mas ele demorou horas para aparecer. Meu filho já não estava conseguindo nem respirar direito”.
O médico só foi examinar Rogério na manhã seguinte. “Ele, então, falou que meu filho estava com uma infecção grave e que precisava passar por uma nova cirurgia. Ele também estava com pneumonia. Eu sabia que ele não iria aguentar, mas o médico disse que não tinha outra solução”.
Rogério foi operado para a retirada de material da bexiga, mas não resistiu e morreu. Para seu pai, ele foi vítima de negligência médica. “Meu filho era forte. Até me ajudava no trabalho. Não tinha a saúde debilitada nem nada. Em dez dias, ele se foi. Não consigo aceitar”.
José Eurípedes disse que agora deve procurar um advogado para decidir se irá processar a Prefeitura. “Sei que não irá trazer meu filho de volta, mas pelo menos pode fazer com que outras famílias não passem pelo que eu e a minha mulher estamos passando”.
A Santa Casa negou qualquer negligência. Em nota, afirmou que o rapaz já tinha sua saúde debilitada. “Sendo um paciente já anteriormente acamado, com histórico de vários problemas de saúde, além da infecção urinária, desenvolveu um quadro de infecção pulmonar e, devido à sua condição clínica grave, foi informada à mãe do paciente a necessidade de abordagem cirúrgica de urgência. Posteriormente, o paciente veio a óbito devido ao seu delicado quadro de saúde”, diz a nota.
A Prefeitura também foi procurada para comentar o caso, mas não respondeu ao email encaminhado para a Assessoria de Comunicação.
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