Há clima de apreensão e preocupação no gabinete do prefeito. E sensação de medo também. Embora tente passar uma imagem de que tudo está tranquilo, favorável, Alexandre Ferreira (PSDB) sabe que atravessa forte turbulência. O pior é que o inferno astral ainda está por vir. Os próximos 30 dias serão decisivos e podem significar o fim antecipado de seu governo. Pelo andar da carruagem, pode assistir à Expoagro na condição de “rei morto, rei posto”.
Não bastasse o desafio de ter de enfrentar o padrinho político Sidnei Rocha nas prévias do PSDB, ainda terá que conviver com o risco iminente de sofrer um processo de cassação em pleno período em que os tucanos vão se reunir para escolher o candidato a prefeito pelo partido.
No próximo dia 11, a CEI que apura a atuação de nove falsos médicos na Prefeitura vai entregar o relatório final das investigações. Em anexo, seguirá a recomendação de abertura de comissão processante. Hoje, a oposição calcula que soma sete votos pela abertura do processo. São necessários oito. Nos corredores da Câmara, a avaliação é de que o número mínimo será alcançado. Os vereadores estão com medo de segurar a onda de Alexandre. Imaginam que defender o prefeito terá a mesma repercussão negativa do que votar pelo aumento do IPTU. “Se até mesmo o Adérmis abandonou o prefeito, não somos nós que vamos nos queimar por isso”, disse um dos vereadores governistas, que preferiu não aparecer.
Sidnei até debaixo d’água: Os cumprimentos com beijinhos no rosto são lembranças de um passado não muito distante. As peladas de futebol ao amanhecer também ficaram para trás. Ex-líder do prefeito no primeiro ano da administração, Adérmis Marini não quer saber mais de Alexandre Ferreira e pulou fora do barco. Na segunda-feira, foi ao escritório de Roberto Engler e avisou que vai apoiar Sidnei Rocha nas prévias do PSDB, que serão realizadas dia 30 de abril. Disse o mesmo para quem quisesse ouvir, na última sessão da Câmara. Adérmis avisou Alexandre de seu desembarque por meio de um telefonema feito ao assessor Edvaldo Costa.
Beijinho, beijinho, tchau, tchau: Se Adérmis, que é do PSDB, descolou de Alexandre, Luiz Vergara (PSB) não ficará atrás. Até 6 de abril deixará a função de líder do prefeito na Câmara. O PSB pretende lançar candidato próprio a prefeito e promete ir para a oposição. O reserva Laercinho (PMDB) deverá assumir a liderança do Xandão.
Segundo round: Roberto Engler gostou da história de fazer oposição. Depois de bater no governo e se afastar de Geraldo Alckmin por conta da cruzada contra os pedágios, o deputado, agora, entrou na briga para tentar impedir o cancelamento do bônus aos professores da rede estadual.
Subiu o tom: Valéria Marson (PSD) foi a convidada de ontem do Boteco do Tio Lima, quadro do programa Rádio Cidade, apresentado por Everton Lima, na Difusora. Falou de sua trajetória política e profissional. Descartou a possibilidade de se candidatar à Prefeitura, disse que vai disputar a reeleição para vereadora. Deu o tom do que será a campanha eleitoral ao fazer críticas contundentes ao prefeito. “Falta inteligência emocional ao Alexandre.”
Não embarcou: Após reunião de apenas três minutos, o PMDB se afasta da base aliada da presidente Dilma Rousseff (PT). Em Franca, três anos pós eleições, o PMDB continua fazendo figuração no governo de Alexandre.
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
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