A grande reclamação dos militantes de esquerda radicais — que consideram um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) como golpe e preferem ignorar as denúncias de que o partido está enfronhado até a medula nos esquemas de corrupção investigados em várias frentes — é de que a mídia só tem destacado a Operação Lava Jato e os nomes do Partido dos Trabalhadores que aparecem na investigação. Dizem que o PT é vítima e Luís Inácio Lula da Silva, “um herói da Nação” (como se referem ao ex-presidente), está sendo perseguido pelas “elites”, “pelos brancos de olhos azuis”, “pelos inconformados com a vitória de Dilma Rousseff”, “pela imprensa golpista”. Acham que os seus adversários, notadamente do PSDB e do DEM, que fazem sistemática oposição ao governo federal, são poupados.
Estes militantes, que preferem ignorar o próprio telhado de vidro ao atirar pedras nos dos outros, têm uma visão torta da realidade. Atacam os que defendem a legalidade e não conseguem fazer uma defesa lúcida e isenta dos políticos implicados no Mensalão, no Petrolão e nos demais esquemas fraudulentos que estão sendo descobertos e investigados. O sectarismo domina os comentários que militantes esquerdistas postam em redes sociais na defesa dos seus. Enquanto isso, até se esquecem dos antigos companheiros que acabaram presos, como o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o senador Delcídio do Amaral. Só se interessam de forma obsessiva pela manutenção do mandato de Dilma e da liberdade do ex-presidente Lula, mesmo diante das provas apresentadas até agora. Nada mais interessa, nem a situação do País, envolto em crises econômica e política sem precedentes.
O que não entendem é que pelo menos 80% dos brasileiros desejam ver todos os corruptos condenados e presos, sejam do PT, do PSDB, do DEM ou de que partido for. Todos os indícios devem ser investigados e, se comprovada a culpa, os responsáveis têm que ser processados e julgados. Não interessa mais à Nação sustentar este tipo de esquema que desvia o dinheiro que deveria estar sendo destinado à combalida saúde, à ineficiente educação e à deficiente infraestrutura. Não queremos mais ver políticos das mais diferentes denominações partidárias usando o dinheiro dos cofres públicos em benefício próprio. Os processos abertos contra as fraudes na merenda, os negócios do cartel de trens do metrô envolvendo políticos tucanos em São Paulo, a condenação do ex-governador mineiro Eduardo Azeredo (PSDB) receberam ampla divulgação. Por isso, mais uma vez, ao contrário do que militantes de esquerda dizem, o Brasil exige que os corruptos sejam condenados, independentemente da sua filiação partidária.
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