As coisas no Brasil, nos últimos meses, não estão andando. Ao mesmo tempo em que os índices econômicos se deterioram, a crise política tem deixado Executivo e Legislativo paralisados, sem que consigam avançar na formulação e discussão de medidas capazes de reverter a persistente crise que atinge o País. Hoje, temos cerca de 10 milhões de trabalhadores que perderam o emprego nos últimos anos, a inflação ainda dá mostras de que vai superar os 10% e a atividade econômica deverá apresentar nova retração neste ano, acima de 3%, além do déficit nas contas públicas que deve se repetir em 2016 e superar o registrado no ano passado. A situação ainda pode piorar com os desdobramentos da reunião de hoje do PMDB, que avalia abandonar a base aliada do governo Dilma Rousseff (PT).
Nos últimos dias, a presidente tem a visto a sua sustentação sendo minada: já perdeu a unanimidade que tinha no PTB e outras legendas menores. Desta vez, à frente do Ministério das Cidades, o PSD decidiu liberar seus 31 deputados para votar como quiserem em relação ao impeachment na Câmara. O PP, que comanda o Ministério da Integração, já cogita também liberar oficialmente sua bancada, a terceira maior da Casa, com 49 parlamentares. O PMDB do vice-presidente Michel Temer e dono da maior bancada na Câmara, com 69 deputados, avalia hoje o desembarque. Nos últimos dias, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva tem tentado reverter uma situação quase certa. Mas os interesses dos peemedebistas ainda são maiores: ver seu principal líder ocupando o Palácio do Planalto ainda neste ano. A demissão do ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, ontem, é um claro indício.
Esta semana, portanto, será decisiva. Hoje, Dilma Rousseff e seus aliados precisam de pelo menos 172 votos para barrar o impeachment na Câmara. O governo só conta como 100% certo os votos de todos os deputados do PT, PDT e PCdoB que, juntos, têm 138 assinaturas, 33 a menos do que as necessárias para impedir o processo. Para reverter o quadro, a presidente conta com as defecções nos aliados que hoje se distanciam. O ex-presidente Lula tem se movimentado no sentido de livrar sua pupila e sucessora e fecha o cerco ao PMDB. As defecções nos partidos que já deixaram a base também são consideradas e o Planalto já trabalha nesse sentido. Diante de tudo isso, o Brasil ainda continua em compasso de espera, já que a crise política colocou a recessão severa que nos atinge em segundo plano. Por isso é que a resolução da primeira é imprescindível para que o País supere a segunda.
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