Com 2.310 postos de trabalho criados, Franca alcançou no último mês a maior geração de empregos no Estado de São Paulo, conforme dados divulgados nesta última semana pelo Caged (Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e da Previdência Social. Embora o número de vagas seja maior em comparação com fevereiro de 2014 (11,2%) e ao mês anterior deste ano (47,3%), ao considerar o bimestre, a cidade vivenciou o pior cenário desta década.
Somados janeiro e fevereiro do corrente ano, Franca gerou 3.878 vagas de trabalho contra 4.655 no mesmo período de 2015, uma diferença de 16,6%. Levantamento feito com base em dados do Caged mostra que desde 2010, a criação de emprego nos dois primeiros meses do ano vinha em uma crescente, que só se desestabilizou no último ano, com o início da crise econômica, agora ainda mais agravada.
Um dos principais fios condutores da economia local, o setor industrial, com destaque para o segmento calçadista, sofreu duras perdas, mas graças ao aumento das exportações tem se recuperado. Sozinho, o setor conseguiu a recolocação de 2.166 trabalhadores em fevereiro, apesar de ainda estar aquém das seis mil demissões realizadas em dezembro último.
Também sentiu drasticamente os efeitos da crise o setor comercial, que mais uma vez fechou o mês no negativo, com mais demissões do que contratações. A construção civil também teve 70 vagas perdidas no bimestre. Um ano antes, o saldo negativo tinha sido de apenas 18 postos de trabalho e, em 2014, positivo, com a criação de 188 postos de trabalho.
Já o setor de serviços contribuiu para que a situação não fosse ainda pior: foram feitas 1.136 admissões diante de 819 demissões. “Apesar da situação econômico política que estamos atravessando, novamente o setor calçadista de Franca mostra sua capacidade de reação à crise. Porém, não acreditamos que vamos recuperar ainda em 2016 o total de vagas perdidas nos últimos dois anos”, afirmou o presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto.
Em nota, Brigagão informou que no ano de 2013 as indústrias calçadistas tinham 30.381 funcionários com carteira assinada e agora são 21.124 trabalhadores. “Apesar dos indícios de recuperação do setor, ainda há um longo caminho a ser percorrido para voltar a esse patamar, mas estamos lutando”.
Avaliação
Para o professor de economia e gestão financeira da Fatec Franca, Sérgio Ishikawa, as estatísticas atuais dão uma falsa impressão de que as contratações estão em alta e não consideram as circunstâncias da cidade diante de outras localidades e o crescimento da população. “Franca tem sido favorecida pela desvalorização do real, enquanto outras cidades sofrem mais os reflexos da crise. Mas as vagas criadas ainda são inferiores a de anos passados e insuficientes para atender a demanda local, pois temos a entrada de mais jovens no mercado de trabalho”, disse Ishikawa.
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