Força: mães que perderam filhos se unem em trabalho social


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Mães se reúnem a cada quinze dias para dividir seus anseios e dores após perder os filhos
Mães se reúnem a cada quinze dias para dividir seus anseios e dores após perder os filhos
“Não falar sobre o assunto não faz a dor desaparecer”. “Não quero esquecer o meu filho e, muitas vezes, com a intenção de me proteger, as pessoas mudam de assunto quando falo sobre ele”. “Para poupar a família dos meus sentimentos, já chorei no chuveiro para ninguém me escutar”. As frases revelam um pouco do que enfrentam mães que perderam os seus filhos e tentam reencontrar o caminho de um “sorriso sem culpa” dividindo suas histórias e desenvolvendo trabalhos sociais no Mães de Amor.
 
Criado em 2012 pela pedagoga Zelma Vietro, o grupo tem hoje 30 integrantes e conta com o auxílio de psicólogos e terapeutas voluntários na busca pelo que traduzem como “paz interior”. Uma vez a cada 15 dias, elas se reúnem no centro comunitário do Jardim Guanabara para conversar sobre suas aflições e também para se descontraírem com jogos e dinâmicas. “Este ano, vamos passar a acolher os pais e irmãos. É necessário que todos estejam bem para que a estrutura familiar não desmorone”, disse a fundadora. Atualmente, elas realizam festas com distribuição de presentes e cestas básicas no Dia das Crianças e no Natal.
 
A iniciativa de Zelma nasceu dois anos após a perda de seu filho do meio, Paulo Eduardo, que morreu em um acidente de trânsito, no ano de 2010. Depois do trauma, ela passou a observar nos noticiários que estava longe de ser a única mãe a perder prematuramente um filho e sentiu o desejo de conversar com outras mulheres. “Lia as histórias no jornal e procurava por elas. Fazia visitas porque eu sabia o quanto é muito difícil recomeçar. A gente acha que não tem futuro, esperança para nós”. 
 
Em pouco tempo, as visitas se tornaram rotineiras e outras mães passaram a acompanhá-la. A intenção era somente ouvir o desabafo de quem precisava e dizer palavras que quem nunca passou pela terrível experiência costuma dizer. “Depois que encontrei o grupo, descobri que é possível ter uma vida sem culpa de sorrir e que eu posso me permitir. Eu jamais vou esquecer ou substituir o meu Miguel, mas eu não posso me render ao sofrimento. O primeiro ano é o mais terrível. As datas, como Natal, Dia das Mães, das crianças, são muito dolorosas”, disse a representante comercial Ana Paula Schentl, que perdeu o filho de 1 ano, no ano passado, por negligência médica. “Aqui é um espaço onde a gente encontra liberdade para falar e identificação. Não é por mal, mas as pessoas não sabem como agir. Às vezes você quer falar sobre seu filho e elas querem mudar de assunto com medo de você ‘desmontar’”, completou a massoterapeuta Carla Roisman, mãe de Diogo, 27, que faleceu há três anos.
 
Com o slogan Transformando dor em atitude de amor, o grupo das mães quer acolher mais membros para dar suporte e ampliar os trabalhos sociais. Os interessados podem entrar em contato pelos telefones 3720-4225/ 3017-3529 ou 9 9999-0885.

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