Senai chega aos 42 anos com 100% de alunos empregados


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Escola chega aos 42 anos de fundação, oferecendo cursos voltados para a atividade industrial, muitos deles gratuitos
Escola chega aos 42 anos de fundação, oferecendo cursos voltados para a atividade industrial, muitos deles gratuitos
“O Senai surgiu para atender uma demanda da indústria calçadista que estava eminente” é com essa frase que o diretor do Senai Franca, Wagner Lopes Munhoz, resume a importância do sistema educacional na cidade e relembra a história da unidade local, que, neste mês de março, completa 42 anos de atuação.
 
Um dos maiores trunfos da escola é que 100% dos seus alunos do curso de aprendizagem industrial conseguem colocação no mercado de trabalho. Esse é um dos motivos pelos quais há disputa acirrada por uma vaga em seu processo seletivo, envolvendo centenas de jovens interessados em dar um upgrade nos estudos e um rumo para a vida profissional.
 
Além do trabalho ligado à formação de jovens interessados em entrar no mercado de trabalho, o Senai Franca também oferece oportunidade para o trabalhador que quer se atualizar e incrementar o currículo. “No caso dos cursos regulares, eles são totalmente gratuitos e obedecem a lei do aprendiz. O curso de aprendizagem industrial, por exemplo, é muito procurado. No último processo seletivo, realizado em setembro do ano passado, tivemos 800 candidatos para 180 vagas, quase cinco candidatos por uma vaga. Agora os cursos de formação inicial e continuada têm um ressarcimento e a outra forma de acesso é por meio de bolsas para empresas com até 99 funcionários”, disse Munhoz, que é funcionário do Senai há quase três décadas.
 
Paulistano de nascimento e francano de residência, ele acompanhou de perto o desenvolvimento da escola na capital do calçado e se orgulha dos feitos alcançados por toda equipe, composta por 78 funcionários, sendo mais da metade docentes.
 
Em tempos de crise e queda no emprego, o diretor, que já foi aluno da instituição, defende a qualificação profissional e enaltece o serviço prestado pelo Centro de Tecnologia e Design do Calçado da escola, o único do Estado de São Paulo. Inaugurado em 2009, o centro foi criado para apoiar a competitividade da cadeia coureiro-calçadista, auxiliando as fábricas em seu planejamento, desenvolvimento de produto, controle de produção, elaboração de preço e conquista de mercado. “O centro auxilia nesse arrojo. Os empresários não podem se acomodar, precisam ficar mais antenados, buscar alternativas”, ressalta Munhoz, que também foi professor e coordenador da escola.
 
Nessa entrevista, ele também diz que, diferente do passado, o público alvo nos dias de hoje não se restringe somente a homens. “Temos muitas mulheres, praticamente está dividido, mesmo em outras áreas, não só no calçados. Na indústria não há mais distinção de gênero”.
 
O Senai Franca funciona em modernas estruturas na avenida Presidente Vargas. Como foi o começo da instituição na cidade até chegar a esse patamar?
O Senai Franca surgiu a partir do Centro de Treinamento que ficava na rua Padre Anchieta, no Centro, abaixo da Santa Casa. As atividades da instituição na cidade começaram em 1974 com um convênio da Prefeitura de Franca e a Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) para atender a demanda da indústria, que estava em destaque. O prédio inclusive existe até hoje no endereço. Em 1988, a escola mudou para o prédio da avenida Presidente Vargas e, nesse novo local, recebeu o nome de um empresário muito atuante da cidade, o senhor Márcio Bagueira Leal. Inicialmente, a escola oferecia cursos básicos de corte, pesponto e montagem. Com o novo prédio, houve uma ampliação dos cursos da área de calçados e também ganhamos outros cursos na área da metalmecânica e da eletricidade, tudo para atender a demanda de Franca e das cidades da região.
 
Uma das grandes conquistas da unidade de Franca foi a construção do Centro de Tecnologia e Design do Calçado. Como se deu isso?
Nos últimos anos, tivemos um avanço tecnológico muito grande na escola, sobretudo na atual gestão do Paulo Skaf à frente da Fiesp. Recebemos um investimento gigantesco, com ampliação de máquinas e equipamentos. Ao longo dos últimos dez anos foram aplicados R$ 25 milhões na unidade de Franca com a compra de máquinas, investimento em tecnologia, ampliação do espaço físico e a construção do Centro de Design. Ele é o único do Estado de São Paulo, por isso atendemos o estado inteiro, Franca e mais 20 cidades da região. 
 
É verdade que todos os alunos do Senai saem com emprego garantido?
Existe um banco de interesse. Dessa forma quando a empresa nos procura, nós indicamos. Hoje, realmente 100% dos alunos do curso de aprendizagem industrial estão empregados. Eles ficam meio período na escola e meio período na indústria para poder cumprir a cota de menor aprendiz. Quanto aos outros cursos, se as empresas nos procuram, nós encaminhamos também.
 
Quem procura pelos cursos do Senai?
Registramos todos os tipos de procura. Os cursos de aprendizagem industrial são os jovens de 14 a 17 anos com ensino fundamental concluído, que procuram uma inserção no mercado de trabalho. Os cursos técnicos são procurados por jovens também, mas a partir de 20 anos e os de formação continuada qualquer idade acima de 16. Depende também da área tecnológica e do curso. Fazemos, geralmente em setembro, um processo seletivo. Nesse último, o curso de aprendizagem industrial, por exemplo, recebeu 800 candidatos para 180 vagas, quase cinco candidatos por uma vaga.
 
Com o crescimento dos setores comercial e de serviço, o Senai Franca tem conseguido manter a média de alunos?
Em 2014 e 2015 fechamos o ano com cerca de 4 mil alunos. São estudantes dos cursos de aprendizagem industrial e o técnico em calçados, com duração de dois anos e os de curta duração, para formação inicial e continuada. Esses são mais pontuais para atender uma demanda específica da indústria. Duram três, quatro ou seis meses, então, ao longo do ano, temos vários alunos entrando e saindo. São cursos de pespontador, cortador, de mecânico de manutenção, modelista, estilista, modelagem. Temos em torno de 40 cursos funcionando na escola.
 
Mas diante da crise econômica e das dificuldades da indústria, o Senai Franca percebeu queda na procura por cursos?
O número de alunos ao longo dos anos veio crescendo, houve um avanço grande até 2015, mas, sim, no início do segundo semestre do ano passado e no primeiro semestre de 2016, notamos uma certa queda por essa demanda. Não só pela crise econômica, na verdade estamos tentando encontrar os motivos para essa diminuição. Mas conseguimos montar todas as turmas, os cursos de começo de ano estão em andamento, acredito ser normal diante de uma situação de incerteza da economia as pessoas procurarem outras alternativas, até porque a indústria tem demitido uma quantidade considerável de funcionários.
 
O senhor acredita que está havendo desinteresse pelo setor industrial, de modo especial pela indústria calçadista?
Não vejo dessa forma, não acredito que seja um desinteresse pela indústria. Sobretudo a indústria de calçados. Ela é o pilar da economia de Franca, se houver desinteresse pelo nosso ramo principal, será muito prejudicial para a cidade como um todo. Em Franca, se a indústria não vai bem, o setor comercial não caminha, o serviço também não vai bem e assim por diante. Tivemos outros momentos de redução, mas depois aceleramos novamente. Acredito ser uma situação momentânea.
 
Muita gente não conhece, mas o Senai também presta serviço para as fábricas. Como funciona esse trabalho?
Temos duas linhas de atuação no Senai: os serviços educacionais e a assessoria para as empresas, que nós chamamos de produtos tecnológicos. Essa assessoria é uma assistência para as empresas, vamos até elas e vemos quais são as necessidades pontuais de produção, layout, modelagem, lançamento de coleções, tudo em prol de uma melhoria. A demanda está bem abaixo do que podemos oferecer, mas estamos caminhando. É uma parceria junto com o Sebrae no atendimento dessas empresas seja pequena, micro, média, para quem nos procurar.
 
Como essa assessoria pode favorecer o calçadista em um momento como o que estamos passando?
Essa assessoria ajuda muito o empresariado, porque há um grupo de pesquisa, que depois faz a decodificação desse levantamento e apresentação de uma modelagem. O empresário encurta todo esse tempo. A assessoria faz a busca da solução para os problemas que estamos enfrentando, por isso queremos estar dentro da industria, auxiliar os calçadistas nas dificuldades.
 
Qual avaliação o senhor faz do calçado produzido hoje em Franca? O que falta?
Avalio com muita tranquilidade o calçado feito em Franca. Ele é o melhor do mundo. O que calçado francano está buscando e tem conseguido exatamente é ter um diferencial competitivo no design, porque em termos de qualidade não perdemos para ninguém. O que vemos em feiras por aí, não tem nenhuma diferença do nosso calçado. O que precisamos fazer mesmo é buscar um diferencial para que ele possa ser reconhecido lá fora. Temos grandes empresas da cidade que já tem um design característico e estão fortes no mercado por isso.

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