Houve uma época em que Franca era considerada cidade tranquila. Isso foi há pouco mais de quatro décadas. Nos anos 70 do século passado, qualquer tipo de crime mais grave estampava a primeira página dos jornais e provocava, dependendo do relato, comoção e estarrecimento. Hoje, com uma área habitada extensa, o município registra diariamente todo o tipo de ocorrência relacionada à violência, principalmente quando envolve o uso de entorpecentes, lícitos ou não. Mesmo assim, é admirável a constatação de que entre as microrregiões com mais de 200 mil e menos de 500 mil habitantes, a de Franca é a menos violenta de todo o País. Esta é a conclusão do Atlas da Violência, publicado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
O estudo traz um balanço e taxas de homicídios em todo o Brasil. Segundo o relatório, Franca está entre as 20 microrregiões mais pacíficas do País. A análise foi feita pelos institutos com base no SIM (Sistema de Informação Sobre Mortalidade), do Ministério da Saúde. As informações são até o ano de 2014 e também apontaram uma queda de quase 50% nos homicídios entre 2004 e 2014 na região. Isso garantiu a Franca e cidades vizinhas a 15ª colocação no ranking de maiores quedas. O levantamento mostra que na microrregião de Franca foram registradas seis mortes por 100 mil habitantes — 24, em números absolutos. Mesmo diante destes dados positivos, não se pode negar que ainda há muito a ser melhorado, como salienta o delegado Márcio Murari, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), responsável pelas investigações de homicídios. Será necessário que as autoridades de segurança reforcem sua atuação principalmente contra o tráfico de entorpecentes, este uma espécie de motivador de quase toda a violência urbana nos dias de hoje.
É preciso que os investimentos na formação de agentes policiais civis e militares sejam multiplicados, da mesma forma que lhes sejam dadas condições de trabalho, com a aplicação de recursos no armamento e insumos básicos, hoje ainda considerados precários. Um endurecimento do Código Penal também seria importante para que se acabe com a sensação de impunidade que bandidos têm hoje em dia: mesmo assassinos confessos, por causa de brechas na lei, deixam as delegacias pela porta da frente e conseguem protelar por anos a fio um julgamento e a respectiva sentença. O francano, que ainda se vê acuado pela violência criminosa, espera que os números caiam ainda mais, trazendo de volta a sensação que se tinha 40 anos atrás, quando se podia caminhar tranquilo pelas ruas sem medo de ser abordado por um bandido armado.
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