Saúde em risco: lixo, mato e cães dominam UPA do Aeroporto


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Mato alto no canteiro, mato crescendo na calçada, cachorro na porta e lixo espalhado pela fachada denunciam abandono na UPA
Mato alto no canteiro, mato crescendo na calçada, cachorro na porta e lixo espalhado pela fachada denunciam abandono na UPA
A UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto voltou a ser alvos de reclamações e já coleciona problemas há apenas dez meses após a inauguração. Demora para atendimento, falta de educação dos funcionários, mato, lixo e fezes de cachorro na porta são alguns dos problemas apontados pelos pacientes que buscam atendimento no local. Na manhã de quinta-feira, o Comércio registrou queixas de demora de até quatro horas para atendimento na unidade, que contempla urgência e emergência.
 
Para os pacientes que chegam com sintomas como falta de ar, pressão alta e dores, cada minuto de espera significa muito. “A gente chega se sentindo mal e não é atendido nunca. Estou vindo aqui desde segunda-feira com dor forte nas costas e não descobrem o que eu tenho”, disse a desempregada Iraídes Veloso, 27. Ela, que havia chegado às 7h30 e só foi embora às 11 horas, conta que, em idas anteriores à UPA, foi orientada a ir embora para ser atendida no Pronto-Socorro “Álvaro Azzuz”.
 
Com falta de ar e bronquite, a jovem Lauriene Amorim, 19, estava indignada com a demora de quatro horas para ser atendida. Para os pacientes, o motivo da lentidão no atendimento é a falta de médicos. “Tem um ou dois médicos, eles estão trabalhando aqui do jeito que eles querem”, disse a paciente. O número reduzido de profissionais seria o motivo para as longas esperas mesmo quando a unidade não está lotada.
 
A UPA funciona 24 horas por dia de segunda-feira a domingo. A média de pacientes pactuada com o Ministério da Saúde é de 450 pessoas por dia, mas a expectativa era chegar a mil pacientes diariamente. A UPA começou a operar com cerca metade do número de funcionários necessários. “Este ano piorou porque aumentou o tanto de gente que vem tratar aqui, o bairro do Aeroporto já tem muita gente”, afirmou a dona de casa Maria Aparecida Melo Amorim, que acompanhava sua neta.
 
Alguns usuários consideram que o atendimento no local está melhor que nos PSs, mas outros criticam a postura dos médicos nas consultas. “Eu falei que não queria tomar injeção porque eu tinha medo, aí o médico disse que ele que era o médico e que ele não queria estar lá, queria estar em casa e não atendendo”, disse a arquivista do INSS Letícia Barbosa, 17.
 
O problema é recorrente, em julho e novembro do ano passado, o Comércio da Franca denunciou esperas de até sete horas.
 
Além da questão de atendimento, a parte de infraestrutura da UPA já apresenta problemas. O local está com aspecto de abandono em menos de um ano após a inauguração, que aconteceu em maio de 2015, com mais de dois anos de atraso.
 
Cachorros de rua vagando, dormindo e comendo alimentos deixados perto da porta de entrada na UPA contribuem para um cenário de sujeira e descaso. Até fezes de cães podem ser observadas nos canteiros do local. Uma embalagem de isopor com restos de comida bem na rampa de acesso da unidade demonstra que os cachorros já “moram” na unidade de saúde.
 
Na calçada da entrada da unidade, o mato está tomando conta dos meios dos blocos de cimento da calçada e também já está sem poda nos canteiros.
 
Além disso, na calçada da UPA, perto da parte de estacionamento, havia grande quantidade de lixo espalhado perto de caçambas.
 
A parede da fachada tem várias marcas de sujeira e descascados. A obra custou R$ 5,2 milhões e foi realizada por meio de uma parceria entre os governos federal, estadual e municipal.
 
Sem resposta
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura para obter respostas sobre os problemas de espera e manutenção da UPA do Aeroporto, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
 
Também foi questionado sobre os dados atuais de atendimento, mas a Secretaria Municipal de Saúde não respondeu as perguntas.
 
 

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