Documentos apreendidos pela Polícia Federal no âmbito da operação Acarajé, que teve como alvos executivos e endereços da empreiteira Odebrecht, pelo que se viu ontem, tem maior potencial destrutivo do que uma bomba atômica. As planilhas acabaram vazando, embora o juiz Sérgio Moro, responsável pela investigação, tenha determinado o sigilo das informações constantes nos documentos apreendidos. O clima em Brasília, ontem, estava bastante tenso, uma vez que o material lista mais de 200 políticos, tanto da base aliada da presidente Dilma Rousseff (PT) quanto integrantes da oposição que teriam recebido dinheiro da empreiteira.
No total, aparecem políticos de 18 legendas partidárias. Há desde deputados, senadores e governadores em pleno exercício do mandato -- são mencionados, por exemplo, Aécio Neves (PSDB-MG), Romero Jucá (PMDB-RR) e Humberto Costa (PT-PE), entre vários outros — até ex-governadores (como o peemedebista Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, e Eduardo Campos, do PSB, morto em 2014) e ex-senadores como José Sarney (PMDB-PA).
As planilhas são riquíssimas em detalhes — embora os nomes dos políticos e os valores relacionados não devam ser automaticamente considerados como prova de que houve dinheiro de caixa 2 da empreiteira para os citados. São indícios que serão esclarecidos no curso das investigações da Lava Jato. Mas já há informações de que em muitos casos não há correspondência entre os valores apontados e as prestações de contas feitas junto à Justiça Eleitoral. A maior parte do material é formada por tabelas com menções a políticos e a partidos. Algumas dessas planilhas trazem nomes, cargos, partidos, valores recebidos e até apelidos atribuídos aos políticos.
Além destas planilhas há ainda bilhetes, extratos bancários e outras anotações que estão sendo esmiuçados pelos agentes da Polícia Federal, inclusive com o cruzamento de dados com a Receita Federal e a Justiça Eleitoral. Se confirmada a delação premiada dos executivos da Odebrecht presos no decorrer das investigações, a Lava Jato deve ganhar um novo fôlego, principalmente no esclarecimento do teor dos documentos. Ninguém sabe o que pode acontecer a partir daí. Mas uma coisa é certa: o panorama político pode mudar completamente, ainda mais se o STF (Supremo Tribunal Federal) passar a investigar os nomes das listas. E se houver sequência das ações contra autoridades com foro privilegiado, ao final do processo o País deverá ser outro, mostrando que não aceita mais conviver com corruptos, além de deixar um claro recado aos que se sentirem tentados a se beneficiar com o dinheiro do contribuinte.
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