A visita oficial do presidente Barack Obama a Cuba tem alto significado para a América Latina e o mundo. Sepulta a época da guerra fria, que tanto mal fez aos povos. Os EUA deixaram de ser o patrocinador dos golpes de estado desfechados a pretexto anticomunista e, de outro lado, Cuba está longe de ser a exportadora da revolução que inspirou e cooptou para o fracassado comunismo muitos oposicionistas e, contraditoriamente, os travestiu de democratas.
Depois da queda do muro de Berlim e do esfacelamento da União Soviética, os EUA não têm mais porque patrocinar golpes, e Cuba, perdendo o financiador, deixou de exportar a “revolución”. Restaram só as suas “viúvas”, parte delas governando seus países sob bases temerárias.
Felizmente, a praga totalitária decorrente das utopias do Século XX está indo para o ralo. Cuba, hoje economicamente defasada, em vez de revolução, exporta saúde, dentro do discutível processo que no Brasil se batizou “mais médicos”, trazendo-nos médicos que vêm trabalhar e têm grande parte do salário confiscado pelo governo cubano. Brasil, Argentina e até o Paraguai parecem estar num processo de livramento tanto da influência nefasta das revoluções apoiadas pelos norte-ameircanos de antanho quanto da utopia cubana, que sobrevive apenas na cabeça alguns sonhadores que ainda a defendam e até tentam praticá-la. É preciso nos livrar das influências ideológicas externas e totalitárias, dar combate sem trégua à corrupção e reencontrar o equilíbrio econômico.
EUA e Cuba partem para acertar seus ponteiros. Todos nós que um dia fomos por eles impactados, precisamos também acertar os nossos. Abaixo as intolerâncias, o golpe e as ideologias do passado. Precisamos só de um regime político brasileiro. Tipicamente brasileiro, sem os modismos e os oportunismos importados no controverso Século XX. E sem corrupção, onde o dinheiro do contribuinte seja usado para beneficiar todos os brasileiros.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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