Vamos conseguir combater o terror?


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Mais uma vez, o mundo quedou-se estarrecido, logo nas primeiras horas de ontem, quando ataques terroristas deixaram pelo menos 31 mortos e 250 pessoas feridas em Bruxelas, capital da Bélgica — onde na semana passada foi preso o terrorista apontado como um dos principais suspeitos de ter comandado os atentados em Paris em 2015. Foi mais um golpe duro contra civis inocentes que nada têm com as demandas do EI (Estado Islâmico), o qual, na tarde de ontem, assumiu a autoria das ações. De acordo com mais informações, ao menos três explosões atingiram o terminal de embarque do aeroporto de Zaventem, na capital da União Europeia, e a estação de metrô Maelbeek. Acredita-se que homens-bombas tenham detonado explosivos que traziam presos ao corpo e dentro de malas.
 
Até que ponto o mundo está preparado para combater um grupo terrorista, que usa uma visão distorcida do islamismo para fazer reféns, cobrar resgate ou então executar quem não concorda com suas ideias? Até agora, pelo que se vê, a união Europa-EUA não conseguiu chegar a uma fórmula eficaz capaz de enfrentar o EI com eficiência. Os ataques no Iraque, na Síria e até na Turquia, por causa das diferenças entre todos os países envolvidos, causaram mais vítimas entre civis, sem que se chegasse ao coração do grupo radical. Os avanços no sentido de dizimar o grupo, como o prometido depois dos ataques em Paris,não aconteceram. Não se deve, porém, confundir este grupo (entre outros fanáticos espalhados pelo mundo) com os praticantes do islamismo. Estes não aceitam uma ideologia deturpada e seguem ensinamentos do Alcorão, cujos preceitos estão próximos do cristianismo.
 
Os ataques de ontem perturbam o mundo porque evidenciam a rápida capacidade de mobilização do Estado Islâmico, principalmente na Europa, e o insucesso dos serviços de inteligência em descobrir com antecedência a ação dos terroristas nos países que formam a União Europeia. A ameaça, hoje, é global e não apenas circunscrita ao Oriente Médio, onde o EI nasceu, prosperou e criou células em diversos países, inclusive inspirando outras organizações criminosas como o Boko Haram na África. Vista como uma “declaração de guerra” pela União Europeia, as explosões desta terça-feira podem criar uma mobilização global para fazer frente a um grupo terrorista extremamente cruel. Para combatê-lo, será necessário um enfrentamento não apenas em seu ninho, no Oriente Médio, mas também dentro dos países que hoje podem se tornar alvo de uma hora para outra. 
 
 
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