Mercado de carro 0 km tem o pior fevereiro em nove anos


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Indústria automotiva brasileira produziu menos da metade de sua capacidade neste 1º bimestre, segundo associação das montadoras
Indústria automotiva brasileira produziu menos da metade de sua capacidade neste 1º bimestre, segundo associação das montadoras
O último mês de fevereiro foi o pior para vendas de carros zero quilômetro dos últimos nove anos em Franca, quando apenas 299 veículos de passeio foram comercializados na cidade. O número, baseado nos dados de emplacamentos de veículos divulgados pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), só não é menor que o de 2007, quando 247 veículos foram vendidos no mesmo período. A queda foi sentida pelas concessionárias, que relatam um momento de estagnação no setor. Em alguns casos, as vendas caíram até 48% em todo o ano passado.
 
O gerente geral da Cofranca Fiat, Paulo Henrique Ribas Borges, relatou que a crise econômica provocou queda de 47% na venda de veículos zero na concessionária em 2015. No caso de seminovos, essa queda é de 21%. “É impossível negar que vivemos uma situação bem complicada. No ano passado, o setor já vinha caindo bastante em comparação com 2014 e, pelo que observamos, esse ano não será diferente. Os dois primeiros meses foram complicados.”
 
Para tentar reverter essa situação, a gerente de vendas da Automec Concessionária Chevrolet, Emiliane Sousa Castro, tem investido em promoções diárias, em parceria com as montadoras. “Sentimos uma redução de pelo menos 25% nas vendas nos últimos meses. O ano de 2015 foi um ano inferior a 2014 e o ano de 2016 também começou retraído para o setor de 0 km, apesar de estar mais aquecido para os seminovos. O reflexo é sentido pela própria montadora, que prevê uma redução de 28% na produção neste ano. Mas, apesar disso, estamos investindo em promoções, como taxa zero, entrada facilitada. Para quem quer comprar um carro, este é o melhor momento, pois a briga de preços é favorável para os clientes.”
 
A diminuição nas vendas também foi sentida pelo gerente de vendas da Ortovel Ford, Rodrigo Geron Barbosa. “Viemos mantendo as vendas do último trimestre do ano passado, mas em comparação a dezembro já observamos uma queda. Estamos, desde o ano passado, vivendo uma crise complicada e os números de vendas são inferiores a 2014. Apesar disso, acreditamos que esse cenário pode melhorar. Não existe uma expectativa certa sobre isso, mas precisamos acreditar.”
 
Assim como os concorrentes, o gerente de vendas Márcio Henrique Ferrari, da Francauto Concessionária Volkswagen, confirmou o cenário de estagnação no setor. “Acompanhamos a queda do mercado, em média 35%. Nesses primeiros meses continuamos sentindo, mas estamos apostando em novidades, com novas versões de modelos consagrados da marca, e acredito que a situação possa melhorar, principalmente quando a crise política sair desse impasse. Para o segundo semestre, esperamos uma melhoria de até 10%.”
 
Depois de um ano de sucesso, com aumento de 22% nas vendas, o gerente da LagoSan Honda, Fabrício Soares Chagas, espera uma diminuição de 10% nas vendas deste ano. “No ano passado, lançamos novos modelos e tivemos um ano muito bom. Apesar disso, notamos a estagnação no mercado e esperamos para esse ano, no mínimo, 10% de queda nas vendas. A incerteza vivida na economia do país afasta os clientes”, completou. 
 
Cortes
A queda significativa nas vendas, de acordo com os representantes das concessionárias, provocou o corte de funcionários no setor. Na maioria das concessionárias consultadas, os representantes confirmaram que a queda nas vendas provocou a reestruturação no quadro de funcionários. No geral, em média 15% dos trabalhadores foram demitidos. Além disso, as despesas foram enxugadas, com adaptação de carga horária e gastos diversos.
 

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