O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) deve começar a enfrentar uma situação bastante difícil. Há uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta na Câmara Municipal para investigar a atuação do ICV (Instituto Ciências da Vida) — que trouxe uma quadrilha de falsos médicos para atuar nos dois prontos-socorros do município (“Dr. Álvaro Azzuz” e Infantil). Ao mesmo tempo o MP/SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) aprofunda as investigações no processo aberto contra o prefeito, a secretária da Saúde Rosane Moscardini e o ICV. Reportagem do Comércio publicada no último domingo mostra que o chefe do Executivo francano é o principal responsável pela manutenção do instituto em Franca, com sérios indícios de manipulação dos processos que culminaram com uma série de renovações do contrato firmado com a Prefeitura.
Documentos obtidos com exclusividade mostram que o prefeito esteve diretamente envolvido com a contratação emergencial do ICV e suas sucessivas recontratações ao longo de 15 meses, ignorando denúncias de irregularidades graves, como falta de qualificação médica e a falsificação de fichas de atendimento. Foi Alexandre Ferreira também o responsável por aumentar o valor do contrato, destinando milhões de reais do dinheiro do contribuinte baseado em horas extras não cumpridas. Na ação judicial que move contra Alexandre Ferreira, a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, e o ICV, o Ministério Público do Estado afirma que a participação do prefeito se deu antes mesmo da contratação. Ele decretou estado de emergência na saúde pública, o que permitiu que o contrato fosse fechado sem licitação.
Neste momento, Alexandre Ferreira está às voltas com as prévias do PSDB municipal que vai escolher o candidato do partido para concorrer à Prefeitura. Como adversário, tem o ex-prefeito Sidnei Rocha, considerado o responsável pela campanha vitoriosa que lhe deu o mandato. As acusações do MP são gravíssimas, envolvendo inclusive mortes de pacientes atendidos pelos falsos médicos que agiram por vários meses na cidade. Já a CEI da Câmara, que também conta com farta documentação, pode complicar ainda mais a situação já difícil do chefe do Executivo francano. A proximidade das eleições pode levar a maioria dos vereadores a aceitar uma denúncia e até cassar o mandato do prefeito, tornando-o inelegível por oito anos. Assim, as chances de Alexandre Ferreira de conseguir o segundo mandato -- hoje quase inexistentes, se depender do seu próprio partido e do voto do francano -- podem se tornar totalmente nulas. Uma justa paga para quem, desde que tomou posse, se notabilizou por ignorar as demandas de todo um município.
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