As notificações de casos confirmados de dengue agora não dependem mais de exame laboratorial. Elas estão sendo feitas com base em exames clínicos, ou seja, pela constatação do médico, em todo o Estado de São Paulo. A determinação partiu da CCD (Coordenadoria de Controle de Doenças) no último dia 11 e, em Franca, já está em vigor.
A medida foi tomada porque faltam kits de exame para atender tantas pessoas com sintomas da doença. “Se o paciente estiver com febre alta, apresentar pelo menos outros três sintomas característicos da dengue e vier de uma região com casos confirmados, o médico poderá considerar positivo o diagnóstico de dengue”, disse o chefe da Vigilância em Saúde, José Conrado Netto.
Anteriormente, amostras de sangue eram colhidas e enviadas ao Instituto Adolfo Lutz - responsável por emitir o resultado de todos os exames do Estado - para análises. Mas agora, não há kits para diagnóstico da doença em número suficiente. “Neste ano, o Governo Federal enviou apenas 220 kits a São Paulo, o que representa apenas 7% do total de 3 mil kits solicitados desde outubro de 2015 ao Ministério da Saúde”, informou, em nota, a coordenadoria. Mais de 30 mil amostras armazenadas durante o período de desabastecimento ainda aguardam a testagem.
O Ministério da Saúde confirmou o envio de apenas 220 kits e afirmou que está adquirindo mais mil, neste mês de março, que serão liberados aos Estados de acordo com o cronograma a ser estabelecido.
O Ministério ainda afirma que não há problemas na confirmação feita por exame clínico. “É importante destacar que a confirmação dos casos suspeitos de dengue é feita mesmo por critério clínico-epidemiológico, sendo o exame laboratorial indicado para casos com ocorrência de sangramento ou aqueles com pacientes em situações especiais”, informou, em nota.
Para a Vigilância em Saúde, as conformações de casos via exame clínico não devem alterar o trabalho de bloqueio de suas equipes, que se orientam baseadas no endereço dos pacientes sob suspeita de dengue e confirmados. “As fichas de suspeitos e confirmados vão continuar chegando para nós e vamos trabalhar. No raios de 200 metros traçados a partir da casa do suspeito, as equipes se espalham orientando os moradores e eliminando criadouros”, disse Netto.
Ainda de acordo com o chefe da Vigilância, até a última sexta-feira, Franca registrava 1.917 suspeitos, 35 positivos autóctones e 13 importados. Casos de febre chikungunya e zika vírus continuam dependendo das análises laboratoriais para confirmação.
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