Geninho; Gaspar, Zé Mauro, Boca e Eraldo; Renê, Marinho, Antenor, Zé Antônio; Assis e Delém. O torcedor fanático da Francana sabe de cor e salteado a escalação do time esmeraldino de 1977, ano em que o clube conquistou o título da Divisão Intermediária e o acesso para disputar a principal divisão do Campeonato Paulista de Futebol, na época chamada de Divisão Especial. O esquadrão era comandado pelo técnico José Chagas, o “Eca”. Zé Antônio e Antenor marcaram os gols da conquista.
Paulo Roberto Gaspar Silva tem seu nome marcado na história do clube. Lateral-direito da Francana, Gasparzinho visitou Franca há algumas semanas. Aos 57 anos, o ex-jogador reviu alguns amigos e esteve na sede do GCN. Na oportunidade, Gasparzinho nos concedeu essa entrevista e falou sobre aquilo que mais gosta de conversar: futebol.
Revelado pelo Comercial de Ribeirão Preto, Gasparzinho foi emprestado para o Velo Clube antes de ser contratado pela Francana. Titular da lateral-direita na conquista do acesso à elite do futebol estadual em 1977, Gasparzinho defendeu a camisa esmeraldina por cinco anos. Depois, passou por clubes como Guarani (campeão da Taça Prata, equivalente Série B do Campeonato Brasileiro), Taquaritinga, Rio Preto e Votuporanga, onde encerrou a carreira profissional em 1991.
“O acesso com a Francana foi maravilhoso. A cidade parou para festejar essa conquista e o direito de disputar a elite do Campeonato Paulista. Enfrentamos fortes times como Inter de Limeira, Araçatuba, São José e Barretos. Naquela época, os clubes contratavam jogadores da Divisão Especial para a Intermediária”, recordou.
Nem só de momentos de glória viveu o atleta. Gasparzinho teve que conviver com uma situação delicada de saúde. O ex-jogador precisava de um transplante de fígado para combater uma cirrose hepática. Em novembro de 2012, ele passou por uma cirurgia de risco e sobreviveu a este momento.
Plenamente recuperado, Gasparzinho retomou sua rotina de vida e trabalha como vendedor da empresa de implementos rodoviários Facchini. Casado e pai de dois filhos, Gasparzinho mora em Cravinhos, próximo a Ribeirão Preto.
Você passou por um transplante de fígado e correu risco de morrer. Como foi lidar com essa situação e como se encontra nos dias atuais?
Na verdade, eu morri, e voltei. Passei 40 dias em um hospital, entre a vida e a morte. Minha mulher chegou a assinar um termo de responsabilidade pela minha vida. Tive cirrose hepática, fiz o transplante e deu tudo certo. Voltei a trabalhar normalmente, até costumo jogar uma bolinha de vez em quando. Levo uma vida normal.
A Francana atravessa uma situação de penúria no futebol. Em campo, o time foi rebaixado para quarta divisão do futebol profissional. Mesmo distante, como analisa essa situação do clube?
O futebol virou uma empresa, mas o que percebemos é que o clube não prestou atenção nisso. Como consequência, o time não tem mercadoria (revelações) para vender. Não se tem mais como antigamente, uma categoria de base, com trabalhos desde o infantil, juvenil e juniores. Hoje, se contrata vários jogadores e, depois, todos vão embora. Sem a categoria de base, não se tem a mercadoria (atleta) para vender e obter fonte de recurso.
Como você veio parar em Franca. Como surgiu o interesse em seu futebol?
Vim do Comercial. Com 17 anos, fui para o Velo Clube para adquirir experiência. Quando voltei para o Comercial, a Francana foi para Ribeirão comprar Davi, Tuca e Boca. O presidente Otto Sandoval perguntou se não teria um lateral para ceder a eles. Vim em um pacote de contratação do clube junto com Mingo, Geninho e Eraldo. Quando cheguei aqui, o treinador da Francana era o meu ex-técnico do Velo Clube (Marcos Pavlovski). De qualquer maneira viria para cá, seja por empréstimo ou compra.
O ano de 1977 está marcado na história do clube. Em campo, a Francana conquistou o título que lhe colocou na principal divisão do Campeonato Paulista de Futebol, na época chamada de Divisão Especial. Como foi fazer parte desta conquista?
Foi tudo maravilhoso e marcante. A cidade parou para festejar nossa conquista. No penúltimo jogo, nós enfrentamos o Barretos e tínhamos que vencer para ter chance do título. No mesmo dia, o Araçatuba recebia o São José. Como empatamos em 1 a 1, bastava para o Araçatuba vencer o São José, para ficar com o título. Mas naquele dia, caía muita chuva e a partida foi amarrada do início ao fim, terminando empatada em 0 a 0. Com isso estávamos no páreo. Na decisão contra Araçatuba, o estádio estava lotado. O empate era do Araçatuba. O primeiro tempo terminou 0 a 0, mas na volta do intervalo, conseguimos alcançar nosso objetivo e vencer com os gols de Zé Antônio e Antenor.
Você é da geração do futebol romântico, de amor à camisa e sem frescura. Falta isso no futebol da atualidade?
Claro que cada época tem sua história e hoje é diferente. Hoje, existem negócios por trás do futebol. No meu tempo, nada tirava a gente do jogo, nem canela doendo, gripe, entre outras coisas. Os atletas tinham uma identificação com o clube. Quando jogávamos fora, todos sabiam nossa escalação, o time que viria em campo (Geninho, Gaspar, Boca, Zé Mauro...). Na atualidade, cada jogo tem uma escalação diferente e o jogador chega até a fazer corpo mole para não jogar.
Mesmo fora dos gramados, você costuma acompanhar as partidas de futebol. Qual sua avaliação do futebol brasileiro? Qual time você gosta de ver jogar?
Não vou mais aos campos, mas procuro assistir pela televisão os jogos. Hoje, o futebol é muita força física, com foco na marcação. Para driblar essa situação, os times precisam ter meias habilidosos e que possam “furar a defesa” e passar pelos volantes. O Santos procura em seu estilo de jogo fazer isso com o Lucas Lima. É o time que mais me agrada, pois busca sempre o ataque e o gol. O Messi é o principal jogador da atualidade e faz isso com perfeição há anos. É difícil pará-lo.
A goleada sofrida pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014 (perdeu de 7 a 1 para a Alemanha) foi um dos maiores vexames da história do futebol nacional. Como você viu essa derrota?
A partida específica contra a Alemanha vi como se fosse uma luta de boxe. O primeiro soco sofrido tonteou o oponente. A partir daí, o adversário dominou completamente as ações e venceu facilmente. É uma situação difícil, onde tem toda adrenalina envolvida. Os holofotes estavam todos direcionados para eles. Na minha época, quando jogava contra times grandes de São Paulo, com campo lotado, a perna já dava uma tremedeira nos 15 minutos iniciais.
O Dunga é o atual treinador do Brasil e responsável por reconstruir a imagem da seleção. Qual sua análise sobre o trabalho dele à frente do comando?
Ele vem fazendo um bom papel na condução do time. Na estrutura do time em campo, vemos uma liberdade para os atletas do ataque jogarem. O próprio Neymar tem o espaço para se movimentar em campo e confundir a marcação. A defesa também está bem postada. Agora, é preciso tempo para os resultados surgirem.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.