Misericórdia


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Para entendermos que o verdadeiro cristão não há que se sacrificar, mas ser bom, misericordioso, Jesus disse: “misericórdia quero, e não sacrifício.” A garantia de presença aos cultos para os quais nos locomovemos ainda que sob intensa chuva de granizo, por exemplo, ou o cumprimento de sacrificial promessa, de nada valem, se do nosso coração não jorrar misericórdia. 
 
Ocorre, todavia, que a realidade, acaba de mostrar-se contrária ao desejo do Mestre excelso. Ao invés da prática da caridosa tolerância entre si (filhos do mesmo Pai), fanáticos perseguem irmãos de outras crenças, como se viu em notícias oriundas de comunidade religiosa da África.
 
Lamentável ignorar-se o divino registro evangélico, bastante para convencer que a ninguém é dado perseguir a quem não lhe comunga a doutrina, principalmente se sabe terem crenças respeitáveis sido difundidas por nossos irmãos ofendidos, os mesmos que foram escravizados por brancos que se diziam cristãos. A alegação de que combatem o “demônio” resulta infantil, porquanto só se presta a demonstrar total desconhecimento do ensino do Cristo resumido no “amor a Deus e ao próximo”. E, convenhamos, amar o próximo é, antes de tudo, respeitar-lhe a liberdade de crer. 
 
O Papa Francisco também pensa assim. No seu livro O nome de Deus é misericórdia, conclama os seus para a importância de se divulgar tal atributo divino perante aqueles que ainda contrariam os próprios princípios religiosos. 
 
Tal pensamento está plenamente de acordo com o que ensina a Doutrina Espírita, que, por sua vez, considera a misericórdia a mais elevada expressão do sentimento, e cuja definição mais harmoniosa com as Leis de Deus está na resposta dos Luminares espirituais à pergunta 886 de O livro dos Espíritos, ensinando que, para Jesus, ela se define como ‘beneficência para com todos, indulgência com as faltas alheias e perdão das ofensas’. 
 
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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