Lenda da Polícia Civil de Franca, Guido Bettarello, morre aos 96 anos


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O velório de Guido Bettarello está sendo realizado no São Vicente, na sala 1
O velório de Guido Bettarello está sendo realizado no São Vicente, na sala 1
Referência no meio policial, o delegado aposentado Guido Bettarello morreu na noite de ontem, por volta das 19h50, no Hospital São Joaquim. Com 96 anos, Guido estava internado desde a última segunda-feira com complicações de saúde. Com uma infecção no pulmão, ele sofreu uma parada cardíaca e veio a óbito em meio à crise de insuficiência renal. 
 
Segundo relatos do filho, Paulo Sérgio Bettarello, o pai estava reclamando de dores quando foi diagnosticado com uma infecção no pulmão. “De uns tempos para cá, meu pai estava se queixando de muitas dores e, por isso, decidimos levá-lo para o hospital”, disse.
 
Com origem italiana, Guido era filho de Argante Bettarello, nascido na província de Rovigo, na região de Vêneto, com a brasileira Ema Smolari. Além dele, o casal teve mais oito filhos. Guido foi casado com Elza Bettarello, com quem viveu por mais de 60 anos até sua morte, há cerca de oito anos. Com ela, o casal concebeu os filhos Paulo Sérgio, Luiz Sérgio e Donizete. Além dos filhos, o delegado de polícia aposentado deixa seis netos e quatro bisnetos.
 
Embora tenha Franca em seu coração, Guido tem sua naturalidade registrada em Batatais. Veio para a cidade das Três Colinas aos quatro anos, de onde não mais saiu. Aqui, começou a trabalhar aos oito anos passando na ssequência por diversas profissões. Limpou armas a troco de alimento (trabalhou para o dono do jornal A Bomba, que pertencia a um jornalista que possuía o hábito de andar armado); foi tipógrafo, impressor e revisor de jornais (período que trabalhou por seis anos numa gráfica e editava os jornais: O Momento. Brasil Novo e A Gazeta); trabalhou em lojas de ferragens; formou-se em Economia e Direito, foi comerciante (foi dono da Casa Bettarello, loja de brinquedos e utensílios, locali-zada no Centro) e, por um acaso do destino, tornou-se delegado de polícia. 
 
Em entrevista concedida ao Comércio da Franca, em agosto de 2015, Guido Bettarello revelou que se tornou delegado de polícia graças a uma brincadeira do ex-colega de faculdade e prefeito Hélio Palermo. Durante uma viagem para São Paulo, em visita a Secretaria de Segurança, Hélio brincou com o então secretário Cantídio Sampaio que Guido queria ser delegado de polícia. 
 
A brincadeira virou coisa séria. Três meses depois, Guido, com 45 anos, foi convidado para ser delegado substituto. Posteriormente, Guido prestou concurso e se efetivou na função. Guido Bettarello atuou por 20 anos na Polícia Civil (1964 até 1985). 
 
De acordo com o filho Paulo Sérgio, o pai foi exemplo de vida. “É um momento de muita dor para todos. Meu pai deixa um legado de honestidade, trabalho e exemplo para família”, destaca. 
 
Delegado do 1º Distrito Policial de Franca, Luis Carlos da Silva trabalhou com Guido Bettarello e tratou de recordar a dedicação do companheiro com a profissão. “Aprendi muito com ele. Guido representa um marco na Polícia Civil de Franca. Ele se dedicava à profissão de corpo e alma. Era uma pessoa simpática e honesta. É uma perda para Polícia Civil e para cidade de Franca”, disse.
 
Em nota à reportagem, o delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca, Márcio Garcia Murari enalteceu os relevantes serviços prestados pelo companheiro. “Exemplo de policial e ser humano, que soube dignificar sua missão. Morre o homem, mas fica a lenda”, descreveu.
 
Daniel Radaeli, delegado da Seccional de Franca, tinha em Guido Bettarello a referência na função. “Ele foi um referencial. Sou delegado de polícia graças a ele. É com muito pesar que recebo essa notícia. Ele era única lenda viva e de valor na polícia civil”, enfatizou. 
 
O velório de Guido Bettarello está sendo rea-lizado no São Vicente, na sala 1. O sepultamento acontecerá às 16 horas, desta quinta-feira, no Cemitério da Saudade. 

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