O grande recado das ruas


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O público recorde na avenida Paulista e imediações é a grande afirmação de que o povo quer mudanças já. O visto em São Paulo é o coroamento do ocorrido nas outras capitais e cidades brasileiras, onde a população protestou pacificamente pelo afastamento de Dilma e do PT e pela apuração das denúncias que pesam contra Lula. Apesar da existência desses três objetos, o importante é verificar que a grande reivindicação do povo é mais do que isso: brasileiros querem restaurar a moralidade administrativa e recolocar o país no rum o do desenvolvimento concreto e sustentável.
 
O ocorrido no domingo, 13, é a repetição de momentos críticos como as concentrações das “Diretas Já”, de 1984, que apesar de não terem conseguido a aprovação da lei que restituía e eleição direta para presidente da República, deixou o caldo político suficiente para a eleição de Tancredo Neves no colégio eleitoral e o encerramento do ciclo de governos militares. Pelo seu tamanho e objetividade, as manifestações de agora também nos conduzem a um novo tempo, sem quebra institucional, porque o Judiciário vem cumprindo o seu papel.
 
Ouvido o clamor das ruas, espera-se que, sem demora, os parlamentares se debrucem sobre sua tarefa de representar o povo e coloquem em andamento o processo de impeachment da presidente, já admitido formalmente pela presidência da Câmara. Pelo que se sabe, nos próximos dias, deverão ocorrer mobilizações pró-Dilma, Lula e PT. Espera-se que esses atos também transcorram pacificamente. Que seus participantes levem apenas sua mensagem, sem confrontos ou provocações.
 
O ato de o povo manifestar a sua vontade — independente de qual seja ela — é o exercício da democracia direta. Nos remete ao exemplo da polis, cidade grega onde os cidadãos se reuniam na praça para discutir e resolver seus problemas. Os atuais representantes do povo não devem perder a oportunidade de bem utilizar o que o povo diz através das manifestações e, com isso, exercer uma boa representação. Chega de trocar votos por ministérios e benesses. Isso é antidemocracia...
 
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo 

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