Com capacidade para 65 homens e 15 mulheres, o Abrigo Provisório de Franca está lotado. Com isso, de acordo com auxiliar de coordenação do local, Dário Rosa dos Santos, são dispensados diariamente, em média, 10 moradores de rua que procuram atendimento. A estimativa é que atualmente cerca de 800 pessoas vivam nas ruas de Franca, transformando praças, pontes, prédios abandonados, calçadas e marquises em suas casas. O principal motivo para essa realidade seria o vício em drogas e álcool.
“Assumimos a coordenação do Abrigo em 2014 e, nesse período, observamos um aumento considerável dessa população. Hoje estimamos, através de relatórios de atendimentos, juntamente com outras instituições que prestam esse tipo de atendimento, que aproximadamente 800 pessoas vivam nas ruas de Franca. Eles estão espalhados por toda parte. São, na sua maioria, usuários de drogas e bebidas, mas também são pessoas que perderam seus empregos e acabaram perdendo tudo e acabando nessa vida”, disse o auxiliar.
Com apenas 25 anos, o jovem Erick, como pediu para ser identificado, é usuário de drogas desde os 15 anos e já integra as estatísticas de moradores de ruas da cidade. Internado para tratamento seis vezes, Erick, que admite ser viciado em crack, chegou a ser preso por roubo três anos atrás. Hoje, ele divide com um amigo, que conheceu nas ruas, um espaço na grama da praça 1º de Maio, na Vila Chico Júlio. “Morava com a minha mãe até duas semanas atrás. Sem aguentar mais a situação, ela me expulsou de casa. Não desejo essa situação para ninguém e quero muito mudar de vida, mas não é fácil. Estou passando frio, sem ter onde fazer as minhas necessidades”, disse.
A mesma situação é relatada por moradores que têm as ruas como casa há muitos anos. É o caso de um desenhista de 36 anos, que há 22 mora nas ruas. Nascido em Igarapava, ele chegou a Franca há 10 anos. Sofrendo de esquizofrenia, ele assume ingerir bebidas alcoólicas para suportar a vida nas ruas. “Não acredito que qualquer morador de rua tenha escolhido essa vida, tendo alguma outra opção. É um sofrimento sem fim. Somos discriminados, mas todos temos uma história e que, na grande maioria das vezes, não é fácil.”
Na sua maioria com pais, mulheres e filhos, os próprios moradores de rua confessam que o vício nas drogas e bebidas é o principal motivo para eles terminarem nessa situação.
“Todos os dias chegam mais pessoas para dividir a rua com a gente. São de todos os lugares, mas muitos são daqui mesmo. Dividimos colchões, cobertores, drogas e bebidas, e lutamos juntos para sobreviver nessa vida cruel”, disse um dos moradores, que está na rua há 15 anos e é viciado em álcool.
De acordo com o auxiliar de coordenação do Abrigo, que oferece trabalhos como acolhimento, refeições, higiene e um lugar para dormir, a falta de um espaço físico maior é o principal impedimento para que o serviço seja ampliado. “Frequentemente, temos discussões com a Prefeitura em busca de aumentar o trabalho realizado pelo Abrigo. Buscamos melhorias como um todo e estamos dialogando para isso.”
Futuro
A reportagem tentou contato com a secretária de Ação Social, Gislaine Peres, para saber se existe em andamento algum planejamento para aumentar o número de vagas no Abrigo Provisório, mas foi informada que ela estaria fora toda a semana. A assessoria de imprensa da Prefeitura também foi procurada, porém, até o fechamento desta edição, não houve qualquer retorno.
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