Crise deve brecar aumento real a servidores municipais e sapateiros


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Greve dos servidores públicos municipais, em 2015; neste ano, após perseguição, trabalhadores não devem cruzar os braços
Greve dos servidores públicos municipais, em 2015; neste ano, após perseguição, trabalhadores não devem cruzar os braços
As duas principais categorias profissionais de Franca estão em pleno período de negociação salarial. Sapateiros e servidores públicos do município enfrentam o desafio de conseguirem alguma melhoria no momento em que o País atravessa uma crise econômica e que a contenção de gastos é regra geral. Avançar nos benefícios será como tirar leite de pedra.
 
O Sindicato dos Servidores briga por uma correção de 14,3%, resultado da soma da reposição por perda da inflação mais aumento real. A categoria também quer R$ 276 de abono escolar e vale alimentação de R$ 550. Ontem, em reunião na Prefeitura, os representantes dos trabalhadores ouviram que o pedido não será atendido. 
 
A Prefeitura ofereceu apenas a reposição da inflação, no índice de 11,08%, tanto para o salário, quanto para os valores do abono e do vale alimentação. “Isso já era o esperado. A Prefeitura alega que, além das dificuldades financeiras, há os impedimentos da legislação eleitoral. Eles disseram que não fizeram a reunião para negociar e, sim, para falar do limite que podem conceder. Está difícil evoluir”, disse Fernando Nascimento, presidente do sindicato.
 
A entidade convocou assembleia para quinta-feira, às 17h30, para que os servidores avaliem o percentual proposto pelo governo municipal. “Os trabalhadores vão decidir se aceitam ou não. Espero que os servidores compareçam, pois na última reunião foi pouca gente. Os trabalhadores foram perseguidos por causa da greve do ano passado e estão com medo”, completou Fernando Nascimento.
 
Nesta manhã, será a vez dos representantes dos sapateiros sentarem-se à mesa com a classe patronal. Os trabalhadores pediram correção de 25% nos salários, percentual que seria a soma das perdas, aumento real e lucratividade. A pauta também prevê uma PLR (Participação de Lucros e Resultados) de 220 horas, melhoria do abono salarial e fim do banco de horas. “Espero que amanhã (hoje), os patrões apresentem a contraproposta. Todas as negociações são difíceis, mas este ano não tem o porque de não fecharmos um ótimo acordo. O setor não foi atingido pela crise. O valor do dólar está alto, como eles sempre queriam. As empresas já venderam na feira e a taxação do calçado chinês foi prorrogada por mais cinco anos”, disse Sebastião Ronaldo, presidente do Sindicato dos Sapateiros.
 
Na semana passada, o Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca) apresentou aos representantes dos sapateiros um panorama do setor calçadista, mostrando os reflexos da recessão econômica. Haveria pelo menos 11 mil desempregados. “A situação que o País está passando é delicada. Empregados e empregadores estão no mesmo barco. Não conseguimos enxergar o amanhã. Ninguém sabe o que vai acontecer na indústria de um modo geral. É preciso ter muita cautela neste momento. Eles estão pedindo um valor exorbitante, que não condiz com a realidade”, disse José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca.
 
O Sindicato dos Sapateiros também agendou assembléia para quinta-feira, às 17h30 horas, com a finalidade de avaliar o resultado das negociações com a indústria.
 
 

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