O dia 13 de março de 2016 deve entrar para a história de Franca. Na manhã do último domingo, a cidade registrou um de seus maiores protestos. Foram mais de 12 mil pessoas nas ruas para pedir a saída da presidente Dilma Rousseff (PT) e o fim da corrupção no país.
O protesto começou por volta das 10 horas na Praça Central. Como prometido, 50 tratores e dezenas de motos estiveram presentes. Segundo o major Marcos Alexandre Moraes de Araújo, da Polícia Militar, o público estimado foi de pouco mais de 12 mil pessoas, o maior contingente em manifestações desde os movimentos de junho de 2014.
Na praça, os manifestantes estavam vestindo as cores da bandeira do Brasil. O verde e o amarelo predominavam. Cartazes de apoio ao Ministério Público Estadual e Federal se espalhavam em meio aos que pediam a saída da presidente Dilma Rousseff.
Entre os presentes, alguns políticos como os vereadores Valéria Marson (PSD), Marco Garcia (PPS) e Adérmis Marini (PSDB). O assessor parlamentar do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), Edivaldo Costa, também compareceu. A primeira-dama da cidade Cynthia Milhim, mulher do prefeito, participou dos protestos com o rosto pintado de faixas verde e amarelo. Ela estava acompanhada do assessor do prefeito Airton Sandoval e de sua mulher Fátima. O prefeito Alexandre Ferreira não foi.
Passava das 11 horas, quando os manifestantes começaram a passeata pelas ruas do Centro da cidade. Os cerca de 50 tratores de vários tipos e tamanhos, alguns enfeitados com faixas e bandeiras do Brasil foram os responsáveis por comandar a passeata. “Viemos para mostrar nosso descontentamento. Não é mais possível assumir os custos de produção no Brasil. Queremos mudanças”, disse o representante do grupo, Marcos Faleiros.
Os tratores foram acompanhados de perto pelo grupo de motociclistas Santa Custom. Com cerca de 25 participantes, o grupo levou para a rua mais de duas dezenas de motos todas caracterizadas com motivos alusivos ao Brasil, como bandeiras e faixas.
Em um dos raros momentos de tensão durante o protesto, manifestantes, ao passar em frente à loja matriz do Magazine Luiza que estava aberta para o Dia do Cliente Ouro, gritaram “Fecha, fecha”. Depois, começaram as vaias. Não houve violência, apenas manifestações verbais.
Na passeata pelas ruas do Centro, que partiu da rua Monsenhor Rosa, foi até a Libero Badaró, entrou na Júlio Cardoso, virou na General Osório e retornou ao Centro, as pessoas em casas e prédios, para demonstrar apoio à manifestação, fizeram panelaço nas sacadas e empunharam bandeiras do Brasil nas janelas.
O público a todo o momento entoava o Hino Nacional. Milhares de pessoas formavam um só coral de arrepiar. Ao final do Hino, era a vez das palavras de ordem contra o governo federal e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores. Entre os gritos, estavam: “A pátria unida jamais será vencida”, “Fora PT e leva a Dilma com você”, “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”.
Diferente das manifestações passadas, desta vez, os escândalos envolvendo o governo municipal comandado por Alexandre Ferreira (PSDB) não foram lembrados pelos manifestantes. O alvo principal era mesmo o governo da presidente Dilma. Centenas de cartazes e faixas pedindo sua saída do comando do Brasil se espalhavam em meio à multidão. Muitos manifestantes também fizeram questão de levar cartazes e faixas parabenizando o trabalho do juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato e, há duas semanas, concedeu autorização para a condução coercitiva de Lula para depor na Polícia Federal. Entre os cartazes, frases como “Sérgio Moro, amo você”, “Moro, estamos com você” e “Precisamos de mais Moros”.
Dezenas de empresários dos mais diversos ramos estavam presentes com suas famílias. Entre eles, o presidente da Acif (Associação do Comércio e da Indústria de Franca), Dorival Mourão. Ele foi um dos que discursaram antes do início da passeata. “Viemos para deixar claro ao governo federal que chegamos ao nosso limite. Não temos mais como continuar pagando a conta dos desmandos políticos deste país e da corrupção. Essa conta não é nossa, e não vamos aceitar pagá-la. Queremos e vamos lutar por mudanças políticas e econômicas”, disse. Mourão falou que, em 32 anos como empresário, nunca enfrentou uma crise de tamanha proporção como a atual.
Depois de quase um mês organizando o protesto e buscando apoio para a manifestação, o coordenador do evento Marcos Antônio Silva, o Japa Cabeleireiro, era só alegria. Ele disse que esperava no máximo 10 mil pessoas, mas o público foi maior. “Estou muito feliz de ver o povo francano nas ruas. Hoje (domingo) Franca deu um show de cidadania.”
Ele também falou sobre o fato de a manifestação, apesar de reunir um número alto de pessoas, não ter registrado nenhum incidente. “Viemos aqui em amigos. Trouxemos nossas famílias, esposas e filhos. Viemos porque queremos um Brasil melhor. Não viemos por um partido, viemos por uma nação.”
A professora Regina de Oliveira, que também participou da organização, comemorou. “Foi um sucesso tremendo. Foi lindo ver o povo nas ruas, lutando por mais ética na política. Renovou minhas esperanças em um país melhor.”
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