Projeto Roda Livro


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Bem atento, o público  aproveitou cada momento do Roda Livro
Bem atento, o público aproveitou cada momento do Roda Livro
Os versos de Castro Alves, destacados nesta página, são parte do poema O livro e a América, escritos por volta de 1870, portanto há mais de um século.  No que diz respeito ao tema,  não perdem a atualidade, embora sejam cada vez mais relegados ao esquecimento. Sou de um tempo em que se lia muito na escola e fora dela. Aluna de Luiz Martins Rodrigues, emérito professor de português, éramos convidados e memorizar pequenos poemas, que deveríamos declamar na sala de aula, na frente dos colegas, num dia previamente estabelecido. Declamar sem errar valia um ponto na média final. Admirador de Carlos Drummond de Andrade e de Augusto Frederico Schimidt, o professor  nos incentivou  primeiro a memorizar versos, em seguida e nos emocionar com eles. Dos poucos que sei de cor, alguns vêm desta época.
 
Assim, toda vez que encontro pessoas inspiradas, querendo despertar o prazer de ler em outros, eu me comovo, e se me convidam vou junto. Então, tocada pela  empatia à causa, no final de 2014, quando Rita Moscardini me falou de uma ideia sugerida por Elaise Barbosa, a partir de experiência que ambas haviam tido no Exterior, apostei que seria algo muito bom para as crianças de Franca. Tratava-se de aproveitar geladeiras em desuso, customizá-las e então  acondicionar nelas livros a serem oferecidos em empréstimo a quem se interessasse. A ideia vingou e em março de 2015, já contando com a parceria de Maria Luiza Salomão, Tânia Liporoni, Solange Borini e Regina Bertelli, a primeira geladeiroteca foi instalada no Franca Shopping. O que teve início com 500 exemplares doados, chegou ao final do ano com 5 mil volumes em circulação e mais duas geladeirotecas, instaladas respectivamente na Casa da Cultura  “Abdias do Nascimento” e no Hospital do Câncer.
 
Tudo que é bem sucedido deve ser celebrado. Para comemorar um ano desse programa de leitura que envolve crianças e adultos- pois pais, professores, cuidadores também se veem solicitados,  o grupo responsável organizou um encontro no Franca Shopping, na manhã do último sábado, onde a atração principal foi o Duo Fabulelê, formado pelas educadoras Renata Amatto e Aretha Bellini. Elas contaram duas histórias  às crianças que se fizeram  presentes e as acompanharam embevecidas. Depois os pequenos receberam brindes em troca de livros que levaram para abastecer as geladeirotecas. 
 
O projeto cresceu e desde meados do ano passado vem sendo chamado de Roda Livro, pois às  geladeirotecas  se somam outros eventos, como a discussão de textos literários que acontece numa das salas da Casa da Cultura e teve, na manhã do mesmo sábado, Maria Luiza Salomão comentando um conto de Lygia Fagundes Telles. 
 
Em entrevista a este jornal, Elaise disse que “o Roda Livro pertence à  comunidade francana e está evoluindo muito”. O ideal, segundo o grupo, alça também o nível pedagógico, no sentido de que  deve fomentar não apenas a leitura como também a devolução do livro retirado e, no futuro, a organização das geladeirotecas. Como se percebe, é uma proposta altamente educativa: emprestar/ devolver/organizar.  Rita Moscardini, que também falou ao Comércio no sábado e lembrou como foi difícil começar, pois muitos não acreditavam na proposta, estava gratificada: “Estamos orgulhosas do resultado do projeto; hoje é um dia de muita alegria”  Seu objetivo agora é instalar outra unidade de leitura no Terminal Ayrton Senna.
 
O Roda Livro é fruto do ideal de seis mulheres decididas, que elegeram a leitura desde a infância por prazer e a desenvolveram ao longo da vida também como bagagem, e querem colaborar no processo de educação das crianças que atenderem ao chamado. Elas são pessoas  no seu papel de cidadãs que buscam despertar o gosto pela leitura oferecendo títulos diversos e permitindo que cada um escolha o que lhe fala mais de perto aos sentidos, aos interesses, ao próprio coração. Em tempo: embora aparentemente sejam os leitores que escolhem os livros, no fundo, por um desses mistérios que só quem ama a leitura pode entender, muitas vezes quem escolhe o leitor é o próprio livro.

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