Atualizada às 15h47O protesto contra o governo Dilma Rousseff (PT) e a corrupção que assola a politica do país reuniu mais de 12 mil pessoas na manhã deste domingo no Centro da cidade. O protesto começou com uma concentração na Praça Central.
Como prometido, 50 tratores e dezenas de motos estiveram presentes. Segundo o major Araújo, da Polícia Militar, o público estimado foi de pouco mais de 12 mil pessoas, o maior contingente em manifestações desde os movimentos de junho de 2014.
Na praça, os manifestantes estavam vestindo as cores da bandeira do Brasil. O verde e o amarelo predominavam. Cartazes de apoio ao Ministério Público Estadual e Federal se espalhavam em meio aos que pediam a saída da presidente Dilma Rousseff.
Por volta das 10h30, a região central já estava lotada de pessoas. Muitas famílias aproveitaram para levar até os animais de estimação no protesto deste domingo. Eram cachoros e gatos enfeitados por todo lado. A analista de marketing Fabiana Simini Cunha e seu marido Saulo compareceram com os dois cães da família, a Sofia e o Cesár, dois boxers, que estavam enfeitados com a bandeira do Brasil e fizeram sucesso. "Viemos porque não concordamos com as coisas que estão acontecendo hoje no País. Queremos mostrar nossa indignação e pedir mudanças", disse Fabiana.
Entre a população, também marcaram presença políticos como os vereadores Valéria Marson (PSD) e Adérmis Marini (PSDB). O assessor parlamentar do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), Edivaldo Costa, também compareceu. A primeira-dama da cidade Cinthya Milhim, mulher do prefeito, participou dos protestos com o rosto pintado de faixas verde e amarelo. Ela foi acompanhada do assessor do prefeito Airton Sandoval e de sua mulher Fátima. O prefeito Alexandre Ferreira não foi. No mês passado, durante os protestos contra os pedágios, Alexandre disse que manifestações na rua eram "bagunça".
Além dos políticos, o ex-treinador do Franca Basquete e um dos maiores símbolos de Franca, Hélio Rubens Garcia, foi uma das personalidades que estiveram no protesto. Ele disse que resolveu ir às ruas para mostrar que o povo tem poder e que quer mudanças. "Nossa manifestação é pacífica mas tem um grande s ignificado que é mostrar para os governantes deste país que o poder é do povo. Estamos indignados com tudo o que vem acontecendo e é preciso que todos atentem e estudem bastante em quem vão votar. Temos eleições este ano e é bom que toda a população tenha consciência sobre quem vai escolher para nos representar."
Passava das 11 horas, quando os manifestantes começaram a passeata pelas ruas do Centro da cidade. Os cerca de 50 tratores de vários tipos e tamanhos, alguns enfeitados com faixas e bandeiras do Brasil, foram os responsáveis por comandar a passeata. Eles eram acompanhados de perto pelo grupo de motociclistas Santa Custom. Com cerca de 25 participantes, o grupo levou para a rua mais de duas dezenas de motos todas caracterizadas com motivos alusivos ao Brasil, como bandeiras e faixas.
Um dos participantes, o dentista Francisco Antônio Alves, o Tonhão, disse que está na hora da população lutar por mais respeito e dignidade. "Este não é o primeiro protesto que participamos. Sempre que nos convidam a gente vem porque acreditamos que um País melhor passa pelo respeito à vontade da população e por mais ética."Em um dos raros momentos de tensão durante o protesto, manifestantes, ao passar em frente a loja matriz do Magazine Luiza que estava aberta para o Dia do Cliente Ouro, gritaram "Fecha, fecha". Depois, começaram as vaias. Não houve violência, apenas manifestações verbais.
Na passeata pelas ruas do Centro, que partiu da rua Monsenhor Rosa, foi até a Libero Badaró, entrou na Júlio Cardoso, virou na General Osório e retornou ao Centro, as pessoas em casas e prédios para demonstrar apoio à manifestação fizeram panelaço nas sacadas e empenharam bandeiras do Brasil nas janelas.
O público a todo momento entoava o Hino Nacional. As milhares de pessoas formavam um só coral de arrepiar. Ao final do Hino, era a vez dos gritos de guerra contra o governo federal e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores. Entre os gritos de guerra, estavam: "A pátria unida jamais será vencida", "Fora PT e leva a Dilma com você", "Lula ladrão seu lugar é na prisão".
Diferente das manifestações passadas, desta vez, os escândalos envolvendo o governo municipal, comandado por Alexandre Ferreira (PSDB), não foram lembrados pelos manifestantes. O alvo principal era mesmo o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) e seu partido. Centenas de cartazes e faixas pedindo sua saída do comando do Brasil se espalhavam em meio à multidão.
Muitos manifestantes também fizeram questão de levar cartazes e faixas parabenizando o trabalho e a coragem do juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato e, na semana passada, concedeu autorização para a condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor na Polícia Federal. Entre os cartazes, frases como "Sérgio Moro amo você", "Moro estamos com você", "Precisamos de mais Moros", etc.
Dezenas de empresários dos mais diversos ramos estavam presentes com suas famílias. Entre eles, o presidente da Acif (Associação do Comércio e da Indústria de Franca), Dorival Mourão. Ele foi um dos que discursaram antes do início da passeata. "Viemos para deixar claro ao governo federal que chegamos ao nosso limite. Não temos mais como continuar pagando a conta dos desmandos políticos deste país e da corrupção. Essa conta não é nossa e não vamos aceitar pagá-la. Queremos e vamos lutar por mudanças políticas e econômicas", disse. Mourão falou que, em 32 anos como empresário, nunca enfrentou uma crise de tamanha proporção. "O problema é que não é apenas uma crise financeira. Estamos enfrentando junto uma crise política sem precedentes."
Depois de quase um mês organizando o protesto e buscando apoio para a manifestação, o coordenador do evento Marcos Antônio Silva, o Japa Cabeleireiro, era só alegria. Ele disse que esperava no máximo 10 mil pessoas, mas o público foi maior. "Conversei com o Major Araújo, da Polícia Militar, e ele disse que foram 12 mil pessoas, mas acho que conseguimos até mais. Estou muito feliz de ver o povo francano nas ruas. Hoje Franca deu um show de cidadania."
Ele também falou sobre o fato de a manifestação, apesar de reunir um número alto de pessoas, não ter registrado nenhum incidente. "Viemos aqui em amigos. Trouxemos nossas famílias, esposas e filhos. Viemos porque queremos um Brasil melhor. Não viemos por um partido, viemos por uma nação."
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