‘Não serei candidato. A política me enoja’, diz delegado Daniel Radaeli


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Vereador Daniel Radaeli, que é delegado de polícia, em um de seus discursos na Câmara
Vereador Daniel Radaeli, que é delegado de polícia, em um de seus discursos na Câmara
Uma das vozes mais contundentes da Câmara Municipal vai se calar no fim do ano. Desiludido com a política, o delegado Daniel Paulo Radaeli (PMDB) decidiu priorizar a sua carreira como policial civil e não vai disputar a reeleição. Descontente dentro do partido, ele era disputado por várias legendas que esperavam obter sua filiação até o próximo dia 18, quando a janela de transferências se fechará. “A decisão está tomada. Não serei candidato à reeleição. Estou abandonando a política”.
 
Radaeli tem 50 anos, metade deles atuando como delegado. É o chefe do CIP (Centro de Inteligência da Polícia Civil). Na política, conseguiu a proeza de ser vereador em duas cidades. Integrou a Câmara de Restinga na legislatura 97/2000. Em 2012, na primeira tentativa de chegar à Câmara de Franca, obteve 2.588 votos. É o dono da única cadeira do PMDB.
 
Mesmo integrante do partido do vice-prefeito, notabilizou-se por fazer oposição ao governo municipal. É o relator da CEI (Comissão Especial de Inquérito) que apura a atuação de nove falsos médicos nos prontos-socorros municipais. Também esteve ao lado dos servidores públicos na greve que se arrastou por 45 dias, no ano passado, e ajudou a impedir o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) de doar R$ 500 mil para a Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) fazer a decoração de Natal da cidade. “Dei minha contribuição para a sociedade, sempre fui justo e me pautei pela seriedade. Mostrei minha cara e passei por grandes decepções. A política, infelizmente, me enojou”.
 
Enojado por vários motivos. “O sistema político não é efetivo. Nada anda. Tudo demora um parto para conseguir atender demandas. O cidadão tem que ficar com a caneca na mão implorando por aquilo que é de direito dele”. A necessidade do vereador ter que seguir a cartilha do governo municipal é outro motivo de indignação. “Se é amigo do rei, você consegue as coisas. Se ousa discordar, é queimado. Não há debate sério. Ninguém aceita discordância”.
 
Radaeli afirma ter se decepcionado com a falta de idealismo e de princípios na política. “Mudamos de opinião de acordo com a onda do mar”. A perpetuação de dinossauros em cargos públicos completa sua relação de frustrações. “O círculo é vicioso. O sistema político sufoca o surgimento de novos líderes natos, que poderiam fazer a diferença. Por tudo isto, é que me enojei da política. Cansei da mesmice”.
 
Futuro
Radaeli espera ser promovido em julho para delegado de primeira classe. Posteriormente, estará apto a fazer o curso para a classe especial, que é o mais alto degrau na Polícia Civil. Se ele fosse disputar as eleições, teria que se afastar da delegacia em abril, o que iria atrasar sua promoção. “Priorizarei minha carreira. Vou fazer o que gosto, aquilo a que me dediquei a vida inteira. Espero finalizar a carreira no ápice”.
 
Radaeli disse que sai da política com a consciência tranquila e certeza do dever cumprido. “A experiência valeu, mostrei a minha cara. Tivemos grandes debates, nunca me omiti e nunca deixei de votar, sempre assumi e defendi minhas posições”. 

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