Ao mesmo tempo em que acompanha os desdobramentos das várias operações contra a corrupção, que a cada dia apresentam novas revelações e mostram a relação espúria de parte da classe política brasileira com grandes empresas, à custa do dinheiro do contribuinte, o Brasil vive uma crise econômica sem precedentes. O índice inflacionário continua alto, impactando seriamente o orçamento do trabalhador que se vê acuado e sem condições de fazer frente ao desemprego que atinge milhões. A falta de credibilidade do governo que aí está torna a situação ainda mais preocupante, uma vez que não há perspectivas de que existam armas capazes de fazer o País retomar um crescimento que está estagnado há pelo menos dois anos. Em curto ou médio prazos não há remédio eficiente contra o descontrole econômico, ainda mais que o próprio governo não consegue pacificar a própria base aliada, encalacrado com as denúncias de corrupção que começam a atingir o núcleo do poder.
Neste domingo, a população terá a chance de mostrar, por todas as cidades brasileiras, o que pensa a respeito desta situação. Convocadas através das redes sociais e com o apoio de praticamente todos os partidos de oposição, as manifestações terão que ser consideradas não apenas pelos seus alvos (o governo federal, o Partido dos Trabalhadores e seus apoiadores) mas também por todos os Três Poderes. Hoje, não podemos mais aceitar decisões que sejam enfiadas goela abaixo daqueles que realmente detêm o poder. Somos nós que elegemos nossos representantes e precisamos receber deles pelo menos um pouco de consideração. O trabalhador brasileiro é forçado a pagar por uma crise que não criou, com a supressão de alguns de seus direitos e uma taxação abusiva da renda e do consumo, sem que receba em troca serviços públicos com um mínimo de qualidade.
Não existe hoje no Brasil nada que venha de graça. Vencimentos e benefícios de agentes públicos e o dinheiro para ações sociais (como Bolsa Família. Minha Casa Minha Vida ou Pronatec) saem do bolso do contribuinte. O brasileiro, ao sair às ruas, reclamar e exigir honestidade e responsabilidade dos administradores públicos nada mais faz do que se valer os seus direitos. Os protestos, ao contrário do que seus alvos tentam fazer parecer, não representam golpes contra os poderes constituídos. São, antes de tudo, o grito desesperado daqueles que, entre outras coisas, não concordam que seu dinheiro beneficie um pequeno grupo em detrimento de toda a Nação. Esperamos que as manifestações marcadas para este domingo façam valer o direito de um povo que já não suporta mais a ladroeira e bandidagem que tomaram de assalto as instituições em nome de um plano de poder que alimenta a gigantesca corrupção que não podemos mais aceitar.
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