Mortes violentas aumentam e 2016 já soma seis homicídios em Franca


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A desempregada Priscila Suelen de Moraes, 27 anos, foi assassinada com mais de 20 facadas na rodovia vicinal Nelson Nogueira
A desempregada Priscila Suelen de Moraes, 27 anos, foi assassinada com mais de 20 facadas na rodovia vicinal Nelson Nogueira
O ano de 2016 começou violento em Franca. Até esse sábado, 12 seis pessoas foram assassinadas na cidade. A forma como os homicídios ocorreram também impressionam. Em alguns casos, as razões que levaram aos assassinatos permanecem sob investigação da polícia.
 
Das mortes deste ano, quatro foram por facadas. Outra foi por tiros e, em um dos crimes que mais chocaram a população, a vítima foi assassinada com dois golpes de picareta. No total foram seis homicídios, sendo três deles registrados no intervalo de apenas dez dias. O número já ultrapassa o total ocorrido no mesmo período do ano passado: em 2015, foram quatro mortes.
 
Para chegar aos autores dos crimes, o setor de homicídios da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) tem feito diligências, oitivas e buscado indícios de quem foram os responsáveis. 
 
Dos seis registrados no ano, três seguem sob investigação, à espera de respostas. As mortes do aposentado Márcio Borges de Oliveira, de 50 anos, na Vila São Sebastião; da dona de casa Etiene Josefa de Arruda Coelho, 33, em uma chácara do Parque Universitário; e da desempregada Priscila Suelen de Moraes, 27, na rodovia Nelson Nogueira, seguem em aberto (veja quadro). 
 
A maneira como ocorreram as mortes, para o delegado Márcio Murari, retratam a banalização da vida. “Nas histórias do Oliveira e da Priscila, em que cada um levou mais de 20 facadas, podemos notar como a raiva e o sentimento de vingança predominaram. Há uma tese de que os autores de homicídios assim esfaqueiam até o braço cansar. Só assim param. Isso mostra a violência empregada”, disse.
 
Quando fez o reconhecimento do corpo de sua filha Priscila no IML (Instituto Médico Legal) de Franca, Maria Aparecida Moraes quis saber todos os detalhes do que poderia ter acontecido e como a jovem, que era usuária de drogas há 12 anos, sendo dois deles vividos nas ruas, estava. Buscava explicações em meio às lágrimas e à tristeza. “Foi uma crueldade o que fizeram com minha filha”, disse, se referindo às mais de 20 facadas e ao abandono do corpo em uma plantação de eucalipto às margens da rodovia vicinal. “Eu não sei quem pode ter feito isso, mas a pessoa precisa pagar.”
 
No caso de Etiene, não foram facadas que tiraram sua vida. E, sim, dois golpes certeiros de picareta. Ela foi encontrada morta com ferimentos no ombro e na cabeça na chácara onde morava com o marido, Carlos Eduardo Coelho, 35. O homem é um dos suspeitos do homicídio. 
 
As outras mortes, como do jovem Lucas Brandão Ribeiro, 24, na Vila Santa Terezinha; do taxista Márcio Antônio dos Santos, 40, na rodovia Rionegro e Solimões; e do pedreiro Luiz Carlos Diamantino, 54, no Jardim Santa Bárbara, já foram esclarecidas.
 
Latrocínios
Em meio às mortes, a cidade já registrou dois casos de latrocínio. O número é a metade do ocorrido no ano passado, quando quatro pessoas foram assaltadas antes de serem mortas.
 
Os roubos seguidos de morte começaram no dia 8 de fevereiro, com a morte do taxista Márcio Antônio dos Santos. Depois, no dia 20, o aposentado Márcio Antônio dos Santos levou mais de 20 perfurações no corpo. A polícia já tenha pistas dos acusados de matá-lo e levar um aparelho de som e um televisor. Um dos três suspeitos está foragido. 
 
 
VÍTIMAS
 
Seis homicídios ocorreram em Franca desde o começo deste ano; conheça como os crimes aconteceram
 
1º de janeiro
 
Lucas Brandão Ribeiro, Vila Santa Terezinha
Logo no primeiro dia de 2016, Franca registrou um homicídio. O jovem, de 24 anos, foi atingido com seis golpes de faca   (três no tórax e outras pelo corpo) por um pintor, 26, que teve a casa invadida por Lucas e um outro homem. Ele e o dono da residência se desentenderam e Lucas acabou golpeado. A vítima foi encontrada morta caída na rua Pedro Peres, na Vila Santa Terezinha. 
 
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8 de fevereiro
 
Márcio Antônio dos Santos, Rodovia Rionegro e Solimões
Uma briga envolvendo um VW Voyage motivou a morte do taxista, de 40 anos. Ele foi encontrado morto com um tiro no peito, ao lado do carro incendiado. Os dois acusados, Patrick Rodrigues, 19, e Ricardo Cordeiro, 35, afirmaram que Santos teria tentado resistir ao roubo do Voyage e Patrick acabando atirando nele. Eles fugiram com R$ 20 e um celular. Na DIG, confessaram que o mandante era Edson Donizete da Silva, 39, que também está preso.
 
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20 de fevereiro
 
Márcio Borges de Oliveira, Vila São Sebastião
Pelo menos 20 facadas foram desferidas no aposentado, 50, que foi encontrado caído na sala de sua casa pelo cunhado. Oliveira apresentava vários ferimentos na cabeça e no corpo. A suspeita da polícia é a de que três indivíduos tenham participado do crime, registrado como latrocínio. Isso porque, após matar a vítima, os suspeitos levaram um aparelho de som e um televisor.
 
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23 de fevereiro
Etiene J. de Arruda Coelho, Parque Universitário
A dona de casa, de 33 anos, e o marido Carlos Eduardo Coelho, 35, moravam em uma chácara no Parque Universitário. Ela foi assassinada no quintal de casa com dois golpes de picareta- na cabeça e no ombro. O marido é um dos principais suspeitos do crime, que está sob investigação na DIG. As roupas que ele usava no dia da morte e a picareta foram apreendidas e estão no Instituto de Criminalística para análise. 
 
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27 de fevereiro
 
Luiz Carlos Diamantino, Jardim Santa Bárbara
Com apenas uma facada no abdômen, o pedreiro, de 54 anos, foi assassinado por um amigo de longa data, Vilton Oliveira Sena, 44, ao saírem de um bar. Ele, por sua vez, ficou gravemente ferido na briga, e ainda foi agredido por moradores do bairro. Vilton permanece internado na Santa Casa desde o dia do crime e, nos próximos dias, será ouvido na DIG. 
 
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2 de março
 
Priscila Suelen de Moraes, Rodovia Nelson Nogueira
Mais de 20 golpes de faca, incluindo um no pescoço e outro que perfurou o pulmão, culminaram com a morte da jovem, aos 27 anos. Ela foi encontrada caída perto de uma plantação de eucalipto na rodovia. Segundo familiares, Priscila vivia nas ruas por conta do vício em crack. Raramente ia na casa onde morava, na Vila Nova, para tomar banho, comer e descansar. Ainda não há suspeitos do crime.

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