Nos últimos tempos, um grupo de políticos brasileiros (incluídos aí desde a presidente Dilma Rousseff até o prefeito Alexandre Ferreira) tem sido tomado por um surto de ingenuidade que assusta. Mesmo diante de evidências robustas de irregularidades, ninguém sabe de nada. Assim como Luís Inácio Lula da Silva não tinha conhecimento do funcionamento do mensalão, Dilma se disse ludibriada quando era presidente do Conselho de Administração da Petrobras e autorizou a compra da refinaria de Pasadena, e o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) insistiu que não havia irregularidades na contratação do ICV (Instituto Ciências da Vida), responsável por instalar uma quadrilha de falsos médicos nos Prontos-socorros “Álvaro Azzuz” e Infantil do município.
Essa ingenuidade latente no País parece mais, ao observador atento, uma verdadeira desfaçatez para com quem trabalha, produz, paga impostos e vê seus direitos sonegados diariamente pela corrupção. Felizmente, a Justiça e a Polícia Federal vêm dando as respostas que o brasileiro espera contra corruptos e corruptores. Um último lance que espelha esta tese é o depoimento que a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, prestou à CEI (Comissão Especial de Inquérito) na última quinta-feira. A comissão processante foi aberta para investigar os problemas na saúde pública de Franca, principalmente a ação do ICV e as relações da administração municipal com a empresa que trouxe falsos médicos para atender a nossa população.
Além de dizer que não sabia da falsificação de fichas por um médico que ainda continua atendendo o francano, e contrariando o depoimento de outras seis testemunhas, Rosane Moscardini deixou claro que nem a secretaria e muito menos a Prefeitura nunca se preocuparam com a qualidade do serviço que o ICV prestaria na cidade. A preocupação era com o menor preço. Por isso, permitiu que se chegasse a uma situação criminosa contra o bem estar da população francana. A ação da secretária, que se sustenta no cargo por causa da cumplicidade do prefeito Alexandre Ferreira, levou o atendimento médico no município ao caos, com o registro de mortes relacionadas ao serviço e, o que é pior, o pagamento de milhões de reais a um grupo de pessoas que nem médicos eram. Rosane Moscardini deveria deixar o cargo, pelo bem da população francana, antes que tenha de deixar a secretaria algemada. Com a saúde de centenas de milhares não se brinca!
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