Júlio César D´Elia começou a carreira como professor efetivo da cadeira de Desenho no curso Magistério e Normal do Estado de São Paulo. Algum tempo depois pediu afastamento para assumir a Vice-diretoria do Colégio Estadual, junto com o Prof. Alcides Corrêa e Prof. Valeriano Gomes do Nascimento. Foi, também, diretor do Ginásio Estadual de Pedregulho, depois do Colégio Estadual de Ituverava. Ao permutar com o Prof. Nelson Camargo, foi definitivamente para o Instituto de Educação “Torquato Caleiro”, de Franca, onde terminou sua carreira com a aposentadoria, quando se dedicou definitivamente à pintura, sua paixão. Talvez seja prerrogativa do nome, talvez seja mera coincidência, mas tanto ele, quanto outro Júlio César – esse nascido em tempos anteriores a Cristo – se destacaram como comandantes. Um, no comando dos exércitos romanos; outro no comando de jovens estudantes da história de Franca.
Nosso Júlio César, o D’ Elia, era diretor do IETC, por anos considerada escola padrão da cidade. Era enérgico, sério, calado. Andava mansa e calmamente nos corredores da escola com os braços atrás do corpo, Sempre de terno, flutuava, olhando e perscrutando tudo, parecia não ter pressa. Não alterava a voz ao falar com os alunos, mas o tom de suas frases gelava o mais quente sangue dos alunos, fossem eles do Primário, do Ginasial, do Colegial ou do Curso Normal, que preparava novos professores. Era a autoridade, entidade com poder de ordenar, decidir, atuar e de se fazer obedecer. Tínhamos tanto medo dele, tanto respeito, que nem ousávamos dirigir-lhe a voz, quanto mais permitir-nos imaginar que tivesse vida doméstica ao lado da mulher, da filha, que fosse avô, que usasse camisa, que ficasse com os braços de fora.
Comparar sua figura, seu significado e tudo que representou para várias gerações com modelos atuais é difícil. Nesse momento da história brasileira de falência das instituições, de desprezo às autoridades, de menosprezo ao conhecimento e ridicularização da ordem constituída, há muito a agradecer a homens que, como ele, ensinaram o valor da integridade, da dignidade e da retidão de caráter.
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