E não é que a porca torceu o rabo?


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A principal questão que o Brasil sempre quis ver discutida está centrada na impunidade que cerca os poderosos, os criminosos de colarinho branco, os quais se aproveitam de esquemas de corrupção para atacar os cofres públicos, desviando um dinheiro que deveria estar beneficiando milhões de brasileiros. Pois não é que a sensação, hoje, é a de que ninguém está longe do alcance dos braços da lei, principalmente após o Ministério Público de São Paulo pedir, ontem, a prisão preventiva do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva? Os promotores acusam Lula de atentar contra a ordem pública ao desrespeitar as instituições que compõem o sistema de Justiça, especialmente a partir do momento em que as investigações do Ministério Público do Estado de São Paulo e da Operação Lava Jato se voltaram contra ele. O Ministério Público alega ainda que, se não for preso, Lula poderia fugir facilmente, além de inflamar a militância para blindá-lo de qualquer investigação.
 
Tudo começou com o julgamento do Mensalão, anos atrás, quando ex-ministros, políticos e empresários foram condenados à prisão por causa do esquema de distribuição de propinas em troca de apoio político. Depois, com a deflagração da Operação Lava Jato — que descobriu o maior esquema de corrupção da História e que sangrou os cofres da Petrobras —, a percepção ficou ainda mais forte. Anteriormente condenado pelo Mensalão, o ex-ministro José Dirceu foi para a cadeia de novo. Depois, vieram políticos, agentes públicos e os donos das maiores empreiteiras do País, grande parte deles encarcerada no Paraná. Agora, com as ações do MP paulista e da Justiça Federal (que determinou a condução coercitiva do ex-presidente para prestar depoimento, na semana passada), vê-se que, pelo menos nesse sentido, o Brasil está mudando. E para melhor.
 
Anos atrás, mesmo após as sentenças do STF (Supremo Tribunal Federal), Lula tentou negar a existência do Mensalão. Hoje, aferra-se a um “segredo de polichinelo” para se distanciar das acusações de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Já está em curso no Palácio do Planalto uma operação para blindá-lo, possivelmente concedendo-lhe um ministério para que a investigação hoje em curso seja transferida ao Supremo. Mesmo que isso aconteça, os últimos lances envolvendo o ex-presidente deixam no brasileiro a sensação de que nada será como antes. É a vitória da Justiça contra o escárnio e a ladroagem que tomaram o Brasil de assalto na última década.
 
 
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