Ao abrir as correspondências que chegaram pelo correio em sua casa, na zona sul de Franca, uma supervisora de 28 anos, que está grávida, se assustou. Isso porque o ex-marido, de quem está separada há dois anos e que está preso, enviou uma carta com ameaças e um aviso de que a matará assim que sair da cadeia devido ao indulto de Páscoa.
Segundo a vítima, o ex-marido, com quem tem uma filha de seis anos, está preso há mais de dois anos. E nem mesmo a prisão o inibiu de enviar mensagens ameaçadoras e telefonar do presídio de Pirajuí (SP), onde cumpre pena por roubo. “Ele disse que a minha hora está chegando”, disse a supervisora em entrevista à rádio Difusora.
Com medo do que possa acontecer com sua família, a mulher procurou a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) na tarde de quarta-feira para registrar um boletim de ocorrência de ameaça. O Comércio teve acesso à última carta, que foi anexada ao inquérito.
No início do texto, o presidiário reclamou que a ex não tem cuidado da filha, a deixa com várias pessoas para sair para bares de Franca com um novo relacionamento e está gastando o auxílio-reclusão que a criança tem direito com “outras coisas”. Ele ainda afirmou que, se a mulher não entregar a criança à sua mãe, irá atrás dela e do novo companheiro. “Daqui alguns dias, vou estar aí e quero pegar vocês dois”, dizia um trecho.
No final da carta, o presidiário enfatiza o ódio que sente pela ex. “Cada dia que passa, te odeio mais. Não queria que as coisas fossem assim e você sabe disso. Mas sabia que uma hora isso ia acontecer”. Ele ainda pede para que a mulher deixe a filha dos dois em paz, “senão vou acabar com a sua vida”.
Além de diversas cartas enviadas, a gestante diz ter recebido ligações ameaçadoras de um número desconhecido. O fato a fez solicitar, na delegacia especializada, uma medida protetiva contra o acusado, que, graças a bom comportamento, poderá sair do presídio onde está no indulto do feriado da Páscoa. “Eu estou desesperada. Não sei o que vou fazer. Vou ter de sair de casa para proteger minha família”, disse a vítima.
O caso foi registrado como ameaça na delegacia especializada e será investigado. Para isso, a delegada Graciela Ambrósio, responsável pela DDM, deverá instaurar inquérito e chamar a supervisora para prestar depoimento. Uma solicitação de medida protetiva de urgência foi enviada à Justiça. O objetivo: evitar que uma tragédia aconteça na Páscoa.
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