A situação do governo Dilma Rousseff (PT) está cada dia mais difícil. O seguimento da operação Lava Jato, que começa a mirar políticos da base aliada, e o crescente perigo da abertura do processo de impeachment, estão deixando o Planalto à beira da imobilidade. Quem acompanha o dia-a-dia do governo já vê que a presidente não está mandando mais nada. O seu governo inexiste e as trapalhadas agora chegam até à mudança de ministro. O plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria, ontem, contra nomeação do novo ministro da Justiça Wellington César Lima e Silva. Por 10 votos a um, os magistrados consideraram que a escolha de Silva, que é procurador de Justiça do Ministério Público da Bahia, viola a independência do MP e fere preceitos definidos pela Constituição.
A questão já havia sido levantada logo após o anúncio do nome do ministro, homem de confiança do ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner. Na semana passada, uma liminar da Justiça Federal havia proibido a posse de Wellington César Lima e Silva, derrubada no dia seguinte. Agora, com a decisão do Supremo, Dilma vê-se mais perdida do que cachorro sem faro no meio do mato. O deslocamento do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva para Brasília no sentido de reforçar a negociação com a base aliada para evitar um processo de impeachment deixa claro que a chefe da Nação não consegue nem controlar os seus aliados mais próximos. A crise política se amplia e não há qualquer perspectiva de que o governo federal consiga resolver a crise econômica que mantém o País com os piores índices das duas últimas décadas.
Como uma verdadeira ‘eminência parda’, Lula tenta dar um rumo à administração de sua pupila e sucessora, ao mesmo tempo em que tenta se erguer diante das graves denúncias que o envolvem. Mesmo denunciado pelo MP (Ministério Público) de São Paulo por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, Lula tenta sair do atoleiro que o seu próprio partido criou. Já há quem fale que a presidente pode lhe legar um ministério, principalmente tentando recuperar o prestígio perdido, de olho nas eleições de 2018. Dilma só está servindo para discursar, tentando descolar de seu governo a crise claramente criada por ele. Já culpou imprensa, oposição e até a Operação Lava Jato pela situação atual do País. Ela vem passando a imagem de um peixe se debatendo numa exígua poça d’água incapaz de mantê-la viva. E assim o Brasil vem vivendo, com um governo que não governa, um Legislativo que não legisla e apenas um Judiciário capaz de dar as respostas que o brasileiro merece.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.