O Menino e o Mundo é o título do filme brasileiro que concorreu ao Oscar no domingo, 6 de março. O Oscar é a mais importante premiação de cinema. É o segundo longa de animação do brasileiro Alessandro Abreu. Foi feito de forma artesanal, destoando da linha de montagem da computação gráfica. Esta, que tem oferecido muitas facilidades aos artistas, também acabou limitando a criatividade. Em O Menino e o Mundo, o traço sai diretamente da mão do artista e obedece à inspiração do seu criador e de sua equipe de desenhistas.
A história é interessante e nos faz pensar. O protagonista, o Menino, é um esboço bem infantil. Lembra o desenho de uma criança de cinco anos, com a cabeça redonda e dois riscos no lugar dos olhos. À medida que a história progride, no entanto, a paisagem ao redor do Menino fica mais elaborada. O trabalho com as cores é muito bonito.
O enredo é simples. Uma família mora no campo. Um dia o Pai embarca num trem e desaparece, talvez em busca de melhores condições de vida. O Menino, por sua conta, resolve descobrir o mundo e talvez encontrar o Pai. Pega carona na carrocinha e vai viver suas aventuras. Quer dizer, vai do campo à cidade, que se apresenta com sua beleza e também com sua loucura. As máquinas se tornam ameaçadoras. O “progresso” lança fumaça escura ao céu e destrói a natureza. Árvores são abatidas. Homens colocam motosserras em ação. As florestas vão caindo. O planeta vai sendo depredado. Tudo isso é uma grande tristeza para o Menino. E o som que acompanha tudo isso é do rapper Emicida.
Aqui no Clubinho torcemos para que o desenho brasileiro ganhasse. Isso não aconteceu. Quem levou o Oscar foi Divertida Mente, que também é espetacular. Alessandro Abreu queria ganhar, claro. Mas não ficou contrariado. Ele acha que só de ter concorrido já foi um grande feito. Nós também achamos.
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