Em tempo de crise econômica, as mulheres foram responsáveis por 94% da procura pelos serviços socioassistenciais no Estado de São Paulo somente no ano de 2015. O perfil dessas mulheres nos chama a atenção. Pelo menos nas áreas mais pobres, a maioria delas tem mais de dois filhos (56%), estão desempregadas (66%) e possuem escolaridade até o ensino médio incompleto (75%).
Mesmo com esse perfil, de acordo com um levantamento do sistema Pró-Social do Governo do Estado, cerca de 84% das famílias cadastradas tinham a mulher como responsável familiar. O último censo do IBGE registrou o crescimento no número de domicílios chefiados por mulheres, que passou de 24% para 38% nos últimos dez anos.
A sobrecarga de papéis assumidos pelas mulheres e as dificuldades econômicas e sociais despendem do Estado um olhar panorâmico sobre esse novo perfil familiar.
Os tempos mudaram e, agora, a busca por autonomia e legitimação de direitos tem tomado mais corpo e engajamento. Na minha experiência de mais de 20 anos na área social, posso afirmar que o caminho para a diminuição da desigualdade está na apropriação da força que todas possuem.
Temos feito essa defesa por meio de ações locais e globais. No fim de 2015, reforçamos nosso compromisso ao assinarmos uma resolução para a implantação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Dentre elas está: ‘Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas‘.
Por tudo isso, o mês da mulher, é um marco da luta não só por direitos, mas para definirmos que tipo de progresso buscamos. Isto não é uma homenagem.
Apenas a constatação de um fato que, não somente a igualdade de gênero, como também a erradicação da pobreza e o crescimento inclusivo dependem fortemente da participação social e política das mulheres.
Floriano Pesaro
Secretário de Estado de Desenvolvimento Social de São Paulo
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