Cara de pau supera honestidade e respeito


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Houve uma época, no Brasil, onde muitos candidatos foram eleitos distribuindo jogos de camisa para times amadores de futebol, além de dentaduras, pares de calçados, chinelos e doses de cachaça no boteco da esquina para quem se dispusesse a lhes dar o voto. Há uma história engraçada em que o candidato entregava apenas um pé de sapato e só dava o par completo caso fosse confirmada a sua vitória nas urnas. As coisas mudaram, a lei tornou-se mais rigorosa, mas a classe política não se modificou: continua lutando para preservar os seus mandatos, os benefícios decorrentes deles e conseguir dinheiro para financiar suas campanhas e grande parte das despesas particulares. A cara de pau permanece a mesma, a desonestidade também. Não bastam os vencimentos decorrentes da atuação parlamentar. Embora ganhem bem acima da maioria dos brasileiros, o dinheiro nunca é suficiente, sempre querem mais.
 
O eleitor brasileiro ainda não compreendeu o real valor de seu voto e a capacidade que cada um tem de corrigir os rumos do destino de todos. As ações descobertas pelas investigações da Lava Jato mostram bem como pensam os nossos representantes eleitos. Para eles — não são todos, mas grande parte —, que usam o cargo e o poder em benefício próprio, deixando de beneficiar os que lhes outorgaram o mandato, o eleitor brasileiro é maleável e pode ser usado como massa de manobra. A maioria dos partidos políticos apresenta aos seus eleitores um plano de governo, mas por trás há um plano de poder bastante danoso ao nosso Brasil. Foi o que ocorreu com o PT e seus aliados, que acreditavam na impunidade e no populismo para continuar tomando de assalto empresas estatais e instituições públicas, enchendo o bolso de seus aliados e os cofres das legendas da base.
 
Como se pode ver, a farra acabou. É necessário que todos estes escândalos envolvendo partidos políticos sejam investigados a fundo e seus participantes sentenciados, independente da matiz política. PT, PR, PMDB, PSDB, PSB e outros têm o mesmo peso diante da Justiça. Ninguém está acima da lei. Por isso, o brasileiro precisa se interessar um pouco mais pela política, pois as decisões tomadas nos palácios de Brasília, de São Paulo ou mesmo no Paço Municipal de Franca afetam o cotidiano de todos nós. O brasileiro precisa se interessar pelo processo político, necessita conhecer a fundo aqueles que elege como representantes. Não deve apenas se deixar levar pelo discurso. Urge observar também as atitudes. Só assim será capaz de legar aos nossos descendentes um Estado forte, interessado no bem estar comum e não apenas no benefício de um pequeno grupo.
 
 
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