Jardineiro acusa Prefeitura de perseguição


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O jardineiro Paulo Dimas Borges Barboza, de 62 anos, foi transferido de local de trabalho por várias vezes e suspenso, por duas
O jardineiro Paulo Dimas Borges Barboza, de 62 anos, foi transferido de local de trabalho por várias vezes e suspenso, por duas
O jardineiro Paulo Dimas Borges Barboza, de 62 anos, foi um dos mais ativos participantes das duas greves de servidores municipais de Franca, em 2014 e 2015. Era ele um dos coordenadores do movimento na Secretaria de Meio Ambiente e Serviços. Mas, desde agosto do ano passado, Dimas vem sendo alvo de uma série de procedimentos disciplinares abertos pela Prefeitura. O último lhe rendeu três dias de suspensão. Cansado, ele acusa a Prefeitura de perseguição e assédio moral, e promete ir à Justiça. 
 
Paulo Dimas ingressou no serviço público em 2006. “Consegui ficar entre os primeiros lugares no concurso. Até 2014, nunca tinha tido problemas. Em quase dez anos, não respondi nenhum processo administrativo ou sofri punições”, conta. 
 
Ele diz que a perseguição começou logo depois da primeira greve de servidores. “Eu participei e chamei meus colegas para aderirem também. Na época, fiquei uma semana de greve e, quando voltei, me transferiram para o Jardim Zoobotânico.” Com problemas nos pés, Paulo estava trabalhando havia seis anos na portaria da Secretaria de Serviços. Ao ser transferido, precisou voltar ao trabalho mais pesado. “Sentia muitas dores, porque meus calcanhares foram operados. Passei por cirurgia nos dois pés. Mesmo assim, aguentei firme.”
 
Paulo conta que, no Jardim Zoobotânico, era vigiado de perto por um funcionário da Prefeitura que não era seu chefe. “Ele ficava o tempo todo me vigiando. Não podia nem respirar direito. Como se não bastasse isso, a Prefeitura ainda abriu um procedimento de insubordinação, dizendo que eu não estava obedecendo ordens.” O processo lhe rendeu a primeira suspensão. “Fiquei um dia em casa e descontaram do meu salário.”
 
Mas o pior viria no ano passado. Depois dos 42 dias de greve, o jardineiro foi transferido para a portaria do Aterro Sanitário. Lá, segundo ele, não há condições de ninguém trabalhar. “Estou há sete meses em um lugar em que não tenho água para beber, não tenho um banheiro que possa usar. Não há qualquer condição de segurança e, para piorar, tenho de lidar com os bichos e o mau cheiro. Não poderiam me dar um castigo pior.”
 
Para tentar resolver a situação, Paulo conta que procurou diversas vezes a Secretaria de Recursos Humanos, mas não teve resposta. “Eu expliquei que ali não tinha como continuar. Mas não adiantou.” Cansado, ele procurou o Sindicato dos Servidores. “Fui atrás de um advogado para procurar a Justiça.”
 
A situação se agravou na última sexta-feira. Paulo recebeu mais uma suspensão. Desta vez, de três dias. “Eles disseram que eu agredi um secretário durante a greve. Isso é mentira. Mas não adiantou me defender. Agora vão descontar esses dias do meu salário.”
 
O jardineiro ainda espera uma resposta da Justiça sobre sua situação. “Para mim, é tudo muito devagar e injusto. Me sinto desanimado. Eu estou sendo punido por lutar pelos meus direitos. A greve foi declarada legal. Ela é um direito de todo trabalhador. Mas, para mim, foi só punição.” 
 
Inconformada, sua filha também expôs o caso nas redes sociais. O post no grupo dos servidores municipais tem mais de 130 curtidas e dezenas de mensagens de apoio.
 
O Comércio procurou o secretário de Administração e Recursos Humanos, Humberto Mazza, para comentar o assunto, mas ele não atendeu a reportagem. 
 
 
 

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