Entre a razão e a paixão


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Lula foi conduzido coercitivamente pela Policia Federal para prestar esclarecimentos. O fato ganhou destaque na imprensa e as reações, as manipulações e os jogos discursivos para revelar a verdade foram imediatos. O cenário de conflitos abriu espaço para a validação/refutação da medida judicial. Lula foi obrigado a prestar esclarecimentos, não tinha opção de não ir, e se recusasse seria levado na marra e algemado. A medida é excepcional e utilizada quando há recusa imotivada. Qualquer investigado, inclusive Lula, pode manter-se em silêncio. Argumentos lógicos e passionais sobram nesse episódio. 
 
A Procuradoria da República requereu a condução coercitiva e o Magistrado a concedeu. Fundamentou que Lula era um cidadão como qualquer outro, não está acima da lei, que a medida era necessária para evitar tumulto e que isso é Democracia, Estado Democrático de Direito e República, contudo, advertiu que não deveria ser algemado e nem filmado. Lula foi conduzido em carro descaracterizado e a medida judicial não impediu o tumulto. Isso demostra que Lula não é um qualquer pelo fato de ter sido Presidente da República e acabou tendo um tratamento diferenciado no cumprimento da medida. O juiz chegou a emitir nota fora do processo esclarecendo que não se trata de adiantamento de culpa. O juiz não teve essa conduta anteriormente. 
 
Lula deve mostrar retidão em seus atos. Ter um sítio e um Triplex para quem foi ex-presidente não é sinal de riqueza, contudo como nega ser dono, precisa esclarecer as reformas, quem é o proprietário, porque dele se utiliza, etc. O herói Lula se vê em apuros, precisa lutar para manter o seu legado e sua história de salvador. Agarra no discurso de injustiçado e busca mover as paixões dos seus companheiros, pois o discurso lógico, formal, por si só, parece não se sustentar. Como alguns dos companheiros influentes estão presos e com medo, terá que utilizar-se da militância, do povo, para mostrar poder. Nos próximos episódios duelarão a lógica/razão e a paixão que envolve todo ser humano. Espero que essa crise depure as instituições e os Poderes da República. Desejo que entre a “razão” e a “paixão” da “condução coercitiva” haja sinais de mudanças positivas para o Brasil, pois é inegável a força de Lula, do Mouro e do povo.  
 
 
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário na Unifran/Cruzeiro do Sul

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