Cultura do ódio e do confronto


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A condução coercitiva do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva para prestar depoimento à Justiça Federal, na última sexta-feira, deixou bastante claro o que vem movendo não apenas os militantes do PT (Partido dos Trabalhadores) mas também os seus principais líderes, incluindo o fundador da legenda: a cultura do ódio. Na sexta-feira, militantes petistas agrediram vários profissionais de imprensa da Rede Globo e da Band que fariam a cobertura da movimentação diante da sede do partido em São Paulo, ao mesmo tempo em que Lula, dentro do prédio, tentava uma tacanha defesa de sua história e garantia que o PT defendia a liberdade de imprensa. Não era o que se via fora do recinto: uma turba raivosa investia contra jornalistas que estavam ali cumprindo a sua função. Agiam os petistas como se fossem os profissionais da comunicação responsáveis pelas suspeitas levantadas contra o ex-presidente, seus familiares e diversos outros nomes da legenda. Este é o tipo de arma que usam aqueles que não têm qualquer razão ou argumentos para rebater as inúmeras denúncias contra o ex-presidente que viu sua popularidade cair drasticamente à medida que a Operação Lava Jato avançou. 
 
Ações de intolerância e violência política têm pipocado no mundo e por suas consequências funestas deveriam servir de lição para quem ainda acredita que calando a imprensa conseguirá fazer desaparecer os fatos que ela relata. É um pensamento mágico, um tanto infantil. Como é infantil não assumir erros e atribuí-los a outros. Querer intimidar e calar a imprensa, a esta altura da Operação Lava Jato, revela desespero de causa. E a sociedade brasileira sabe disso.
 
Em lugar de atacar jornalistas – repórteres, fotógrafos e cinegrafistas – de forma violenta, partidários do petismo  deveriam pedir ao seu chefe que desse as respostas que todos os brasileiros esperam. Usar de intimidação é um verdadeiro desserviço à democracia e à verdade. As relações de Lula, de seus familiares e amigos próximos com empreiteiras cujos dirigentes estão presos – a maioria condenada – e começam a detalhar o esquema de corrupção que funcionava na Petrobras; e que, sabe-se hoje, funcionou também em diversas obras públicas espalhadas pelo País, tornam ainda mais complicada a situação do ex-presidente. Não se podem apagar os benefícios sociais que Lula trouxe ao País durante seus dois mandatos. Mas também não se pode atirar para debaixo do tapete as relações escusas que ele manteve com empreiteiras, ainda quando era presidente da República. E sempre é bom lembrar que a força do argumento derruba o argumento da força.  
 
 
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