Por trás do imenso muro rodeado por plantas espinhosas, uma chácara localizada na rodovia João Traficante esconde uma situação alarmante. O local tem sido utilizado como área de despejo, armazenando uma grande quantidade de inservíveis - oriundos da construção civil-, caçambas e até mesmo animal morto. O cheiro forte há algum tempo é percebido por moradores da vizinhança,que reclamam que o fedor causa ânsia de vômito e dor de cabeça.
“Pensamos que havia um corpo jogado em meio ao matagal. Nos juntamos em várias pessoas para procurar a origem do mau cheiro e percebemos que vinha do outro lado do muro”, disse um funcionário de uma das propriedades rurais vizinhas que preferiu não ser identificado. “Tivemos certeza porque, de cima do trator, que é alto, deu para ver um cavalo morto, cheio de moscas, jogado lá dentro.”
Ainda segundo o funcionário, a situação é antiga. “Há quase nove anos trabalho por aqui e sempre foi assim. Ali dentro a situação é feia. Na chuva forte que tivemos em fevereiro, o muro cedeu e o lixo vazou todo pelo cafezal”, disse.
Além do mal cheiro, a preocupação com a existência de criadouros do mosquito Aedes aegypti - transmissor de doenças como a dengue, febre chikungunya e zika vírus - fez com que houvesse uma mobilização para que o local fosse averiguado pela Vigilância em Saúde. “O acúmulo de entulhos pode servir de criadouro do mosquito Aedes aegypti, que tanto tem causado preocupação à população. Nesta região, já tivemos casos confirmados de pessoas com dengue”, disse o dono de uma das propriedades rurais da redondeza que também pediu anonimato.
O proprietário da chácara, que possui um depósito de materiais de construção, admitiu o problema, mas disse que a situação está assim há apenas duas semanas. “Tivemos um problema com dois caminhões nossos e com a estrada que leva ao aterro para onde levávamos o lixo. Já estamos nos organizando e, em dez dias, vamos retirar os entulhos de lá”, disse.
De acordo com o chefe da Vigilância em Saúde, José Conrado Netto, uma equipe de seu departamento seguirá até o local para averiguações. “Já havíamos recebido essa denúncia dos moradores, mas havia uma outra empresa nos arredores, cujo terreno ao lado também estava sujo, e a autuamos pensando tratar-se dessa em questão. Esse tipo de lixo deve ser destinado ao aterro sanitário e notificaremos o proprietário para que providencie a limpeza”, afirmou.
Problemas na Piauí
Pneus jogados, móveis quebrados, resíduos de poda, de fabricação de sapato entre outros. O cenário da área de transbordo localizada no prolongamento da rua Piauí é a mesma há algum tempo e, embora a área seja limpa regularmente pela Prefeitura, os problemas ocasionados pelo lixo continuam a incomodar os moradores.
“Meu marido e eu somos cadeirantes e temos de lidar com ratos, baratas e carrapatos que saem de lá. Para nós, é difícil fazer a limpeza e até mesmo matar esses animais quando entram em nossa casa”, disse a dona de casa aposentada Sônia Maria Pereira.
Além dos incômodos domésticos, a densa fumaça que se forma com as constantes queimadas tem interferido no comércio local. “Os clientes se incomodam e a gente não tem o que fazer”, disse o funcionário de um estabelecimento que não quis se identificar. “Meu avô operou da catarata esses dias e a fumaça, que normalmente já faz arder os nossos olhos, tem incomodado ainda mais a ele”, disse uma estudante que também não quis mencionar seu nome.
Ainda de acordo com Netto, os moradores podem, nesses casos de descarte irregular e queimada, fotografar placas de carros durante o ato e enviar a foto para que a Vigilância faça uma autuação. O telefone da Vigilância é (16) 3711-9415.
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