O vereador e advogado José Eurípedes Jépy Pereira morreu ontem aos 61 anos.
Estava na chácara de sua propriedade, que fica na saída de Franca para São José da Bela Vista, quando sua pressão arterial subiu e ele sofreu um mal súbito. Durante o socorro, sofreu um infarto fulminante. Morreu a caminho do hospital. Jépy deixou a mulher Rosana Matoso Pereira, os filhos Gabriela, Camila, Tales e Tiago e o neto Heitor. Também atuou como radialista e passou pelas três emissoras AMs de Franca: Difusora, Hertz e Imperador. Escreveu três livros de poesia.
Vereador mais antigo da atual legislatura, ele estava cumprindo o sexto mandato e já havia anunciado que encerraria a carreira política no fim do ano para dedicar mais tempo à família. “A partir do dia 31 de dezembro, serei do PMR: partido da minha mulher Rosana”, disse há poucos dias, na tribuna da Câmara.
Antes de chegar ao Poder Legislativo, onde foi presidente por duas vezes, construiu uma sólida carreira na advocacia. Era especia-lista em Direito Previdenciário e tinha uma carteira com milhares de clientes.
Ele começou cedo. No início da década de 70, ainda era um adolescente quando pisou pela primeira vez em um escritório. “Ele começou a trabalhar comigo quando tinha uns 17 anos. O pai dele era porteiro na Unesp, onde eu lecionava, e me pediu para arrumar um emprego para ele. Falei para ele trazer o menino. Primeiro, foi trabalhar na rua fazendo cobranças. Depois, foi fazer serviços gerais no escritório, trabalhou como contador até se formar advogado. Trabalhamos juntos por cerca de 20 anos”, disse o advogado Fábio Liporoni. “Estou abismado, mal tenho palavras para falar. Éramos muito amigos. Há pouco tempo, ele me procurou e disse que pretendia trabalhar comigo no setor de construção que toco na minha imobiliária. Infelizmente, não deu tempo. Estou muito sentido, abalado mesmo”.
Liporoni disse que foi o incentivador da carreira política de Jépy Pereira no fim da década de 80. “Eu havia perdido a eleição (para vereador) e fiquei desanimado. Falei para ele: ‘agora, vai você rapaz’. Ajudei bastante na campa-nha e ele ganhou. Depois, voou sozinho”. Jépy foi eleito pela primeira vez em 1988 e não saiu mais da Câmara. Foi o líder do governo durante os oito anos dos mandatos de Sidnei Rocha. Presidiu o Legislativo em 2013 e 2014. Em setembro do ano passado, aproveitar brecha no Regimento Interno para poder disputar o cargo novamente, mas durante viagem dele para São Paulo, a Câmara aprovou projeto proibindo qualquer vereador de ocupar a presidência por mais de duas vezes no mesmo mandado. “Voltei de São Paulo com uma faca nas costas. Fiquei embasbacado, se-nhores vereadores. Como puderam agir de forma tacanha e desonesta? Nunca disse ‘não’ aos vereadores. Onde está o Jepão que ajudou a todos?”, reclamou na sessão seguinte.
Jépy iniciou a implantação da TV Câmara e se orgulhava de ter apresentado o projeto de transparência no Legislativo, que obriga a divulgação dos salários dos servidores. O projeto Câmara Itinerante, que consiste em visitas dos vereadores à entidades, era outra proposta da qual gostava.
Os três últimos anos de mandato foram marcados por polêmicas com vereadores, servidores, jornalistas e por ter deixado uma sessão para viajar para o exterior. Foi alvo de ações e enfrentou problemas com o Ministério Público e com a Justiça. “O Jépy foi muito injustiçado, mas ele estava feliz nos últimos dias. Na semana passada, a Justiça julgou improcedente e extinguiu a ação popular movida pelos servidores. O MP arquivou denúncia de suposta contratação irregular de advogado”, disse o diretor-administrativo da Câmara, Afonso Teodoro Souza Filho.
Atualmente, Jépy estava tentando aprovar projeto propondo a mudança no horário das sessões, que acontecem das 9 horas às 12 horas (expediente) e das 14 às 18 (ordem do dia). Ele pretendia que as reuniões fossem realizadas das 16 às 18 (expediente) e das 18 às 21 horas. “O projeto atende à uma reivindicação da sociedade e vai permitir que a população tenha mais condições de acompanhar os trabalhos na Câmara”, defendeu ele. O projeto foi inserido na pauta de votações da última sessão, mas foi adiado.
Jépy morava em Franca e sempre passava os finais de semana na sua chácara, onde gostava de pescar, cuidar das plantações e receber familiares e amigos. Na manhã de ontem, percorreu a propriedade ao lado do caseiro e não reclamou de qualquer des-conforto. Às 11h37, postou no Facebook uma mensagem de ‘feliz aniversário’ ao radialista e vereador Hélio Rodrigues Ribeiro. “Esperando que você consiga tudo o que tem sonhado e alcance tudo pelo que tem lutado. Que a alegria da vitória seja a maior recompensa do seu esforço. Parabéns, muita saúde e Feliz Aniversário”, dizia o texto. “Com muita força e fé. Respeitando o seu luto”, escreveu ao radialista, que perdeu um filho vítima de acidente de trânsito no mês passado.
No período da tarde, Jépy começou a sentir sintomas de pressão alta. Por volta das 16 horas, sofreu um mal súbito e morreu a caminho do hospital. O velório tem espaço na Câmara Municipal e o sepultamento será hoje, às 16 horas, no Cemitério da Saudade.
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