Unimed deve passar por auditoria total para determinar o seu futuro


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Eleito há pouco mais de uma semana, novo presidente da Unimed/Franca, Nilson Salomão, quer melhorar o atendimento prestado aos usuários e diminuir os custos da cooperativa
Eleito há pouco mais de uma semana, novo presidente da Unimed/Franca, Nilson Salomão, quer melhorar o atendimento prestado aos usuários e diminuir os custos da cooperativa
Há pouco mais de uma semana, o cardiologista Nilson Ricardo Salomão assumiu o comando da maior rede de atendimento de Saúde da região: a Unimed/Franca. A eleição de Nilson foi uma surpresa. Sua chapa derrotou o grupo que há 12 anos vinha dirigindo os destinos da cooperativa. 
 
Com a promessa de mais transparência, mudanças nos modelos de atendimento e economia, o grupo de Nilson consegui o apoio da maioria dos 344 médicos cooperados. Hoje ele comanda uma das maiores empresas da cidade, com 850 funcionários e um faturamento anual que chega à casa dos R$ 200 milhões. 
 
Desde a noite da eleição, a rotina do cardiologista tem sido dedicada quase que exclusivamente à Unimed. “Sempre que me perguntam a hora que estou acordando para vir trabalhar, respondo que, na verdade, não estou nem dormindo”, brinca.
 
Da sala que ocupa no segundo andar da sede central da cooperativa, Nilson acompanha minuto a minuto as finanças da empresa. Dois telões bem próximos à entrada para a sua sala mostram gráficos com os mais diversos indicativos, que vão desde o nome dos pacientes que mais consomem recursos em seus tratamentos até a quantidade de vendas e consultas realizadas em cada unidade da cooperativa. 
 
Defensor de um atendimento mais humanizado, Nilson sonha em aliar a melhoria do atendimento prestados aos mais de 75 mil usuários da Unimed ao aumento de rentabilidade da cooperativa. 
 
Há apenas pouco mais de uma semana no cargo, o médico já tem planos e metas traçadas com o objetivo de melhorar o atendimento e a lucratividade da empresa. 
 
Há apenas pouco mais de uma semana, o senhor assumiu o comando da Unimed. Já é possível afirmar algo sobre a situação administrativa e financeira da cooperativa?
Nestes primeiros dias, conseguimos já ter uma boa visão sobre a dinâmica de funcionamento da Unimed/Franca. O que posso afirmar é que hoje estamos em uma situação confortável. Todas as nossas contingências obrigatórias estão sendo pagas em dia. Nossas dívidas se resumem a dívidas de investimentos que foram muito bem programados e com estudos de viabilidade. Não tivemos nenhum susto. Do ponto de vista da organização interna e administrativa, nós ainda estamos mexendo em algumas coisas. Nesta primeira semana, o que fizemos foram mudanças mais rápidas, como a extinção de cargos de assessoria médica. Só essa medida já deve gerar uma economia de R$ 600 mil neste ano nos custos administrativos. 
 
A extinção destes cargos logo na primeira semana de sua administração gerou uma certa insegurança entre os funcionários. Estão previstas novas demissões?
Estamos agora contratando uma empresa de consultoria para que possamos tomar as medidas necessárias da forma mais técnica possível. Essa consultoria deve fazer um pente fino dentro do setor administrativo e nos apontar quais são os cargos que são desnecessários e quais as pessoas que poderão assumir um pouco mais de trabalho. Queremos otimizar nossos serviços e aproveitar melhor nosso corpo de funcionários. Então, ainda não tenho essa resposta.
 
Essa consultoria vai se limitar a questões administrativas, relacionadas à área de Recursos Humanos ou vai atuar em outros setores?
Na verdade, estamos também contratando uma auditoria total para verificar todas as contas da Unimed e todos os custos. Serão, na verdade, dois contratos. Um da consultoria para a área administrativa e outro da auditoria total que servirá de base para todos os nossos planejamentos. 
 
Enfrentamos atualmente uma das maiores crises políticas e econômicas da história do Brasil. As operadoras de serviço de Saúde, mesmo antes da crise, já vinham enfrentando vários problemas. Dentro deste contexto, qual o caminho que a Unimed/Franca deve seguir nos próximos anos para se manter no mercado?
De fato, segundo um levantamento da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), há anos o número de planos de saúde operando no Brasil vem diminuindo. Para se ter uma ideia, em 2005, existiam no País 2,5 mil operadoras de saúde. No final do ano passado, esse número já havia diminuído para algo em torno de 750. E a expectativa é que caia ainda mais em 2016. A Unimed/Franca é privilegiada no setor de saúde suplementar hoje. Estamos dentro de uma elite das operadoras. Nossa avaliação, feita pela própria ANS, é muito boa. O que precisamos agora é manter essa condição. Para isso é preciso criatividade. Porque os gastos com a sinistralidades (a quantidade de uso dos serviços pelos conveniados) vão continuar crescendo. Hoje de cada R$ 100 que a Unimed arrecada, R$ 80 são usados para custear exclusivamente os atendimentos prestados. Isso significa que estamos gastando com a sinistralidade 80% do nosso orçamento. Com os outros 20%, temos que arcar com as despesas administrativas e operacionais. Nossa margem de lucro hoje é de apenas 2%. Em uma atividade de risco como a saúde, esse percentual é muito baixo. Por isso temos que nos esforçar ao máximo para cortar custos administrativos e, com isso, melhorar nossa lucratividade. 
 
O senhor também defendeu uma mudança no sistema assistencial hoje vigente na Unimed. Como se dará essa mudança e como ela atingirá principalmente os usuários do plano?
Essa mudança passa necessariamente por dois pilares: o aumento da abrangência da medicina preventiva e o melhor gerenciamento dos pacientes crônicos de alto custo. Estes últimos, são pacientes que apresentam problemas de saúde crônico e que demandam um número maior de cuidados. São pessoas que sofrem com um câncer, por exemplo, e acabam desenvolvendo outras doenças paralelas. Ou que tiveram um AVC e acabaram tendo sequelas mais graves. Para se ter ideia, hoje temos 750 pacientes, 1% dos conveniados, nesta condição. Juntos, eles consomem 24% do nosso orçamento. O que propomos é uma mudança no atendimento dessas pessoas, com o aproveitamento do núcleo Unilar, que cuida de pacientes em casa. Queremos montar uma equipe multidisciplinar que seja exclusiva desses pacientes e possa oferecer um tratamento mais adequado, individualizado, eficiente e mais barato. Aproveitaremos um serviço já existente, então, quase não teremos novos custos. Conseguiremos melhorar o atendimento e ao mesmo tempo diminuir os gastos. Hoje esse setor atende apenas 280 pacientes. Agora nosso trabalho é identificar onde estão os outros 470 e trazê-los para este atendimento. Nossa previsão é que, com este serviço funcionando desta forma, seja possível diminuir até 2% do custo assistencial destes pacientes, o que significaria uma economia de R$ 6 milhões por ano. 
 
E quanto à medicina preventiva?
Tem três formas de praticar a medicina preventiva: a primária (com indivíduos ainda saudáveis), a secundária (com indivíduos que já apresentam algum tipo de patologia que pode oferecer risco à saúde) e a terciária (quando o indivíduo já sofreu um evento grave, como infarto ou AVC, e precisa de reabilitação e cuidados para que isso não se repita). Hoje esses modelos já existem na Unimed de Franca. O que queremos é que eles cresçam em abrangência e sejam mais ativos. Estamos criando, dentro deste modelo, o Centro de Especialidades, com especialidades médicas em que os usuários têm dificuldades maiores para a marcação de consultas. São 23 consultórios médicos lá na sede antiga da Unimed, no Bairro São José. Teremos ainda, neste mesmo prédio, nutricionistas, psicólogas, fonoaudiólogas e laboratórios. Também montaremos um ambulatório para doenças sazonais, como a dengue e a gripe H1N1. 
 
Para os mais de 75 mil usuários da Unimed/Franca, uma das queixas constantes é a demora no atendimento do plantão. Existe alguma medida que o senhor pretenda tomar para melhorar essa situação?
De fato, hoje o alvo de maior queixas por parte dos usuários é mesmo o plantão médico do hospital. Estamos cientes disso e já começamos a trabalhar. Já fizemos a troca de chefias tanto médica quanto de enfermagem. E agora estamos fazendo um diagnóstico para entender quais são os problemas e qual a melhor forma de resolvê-los. Queremos ouvir os funcionários, os médicos e, claro, os usuários. Temos que melhorar o tempo de espera e o fluxo de pacientes dentro do Pronto-socorro. Temos alguns projetos sendo desenvolvidos para tentar diminuir o fluxo de pacientes. Um deles é a criação do Ambulatório de Coluna, que contará com um dos maiores especialistas no assunto, que é o doutor Pedro Curi. O ambulatório funcionará também na sede antiga, junto ao Centro de Especialidades e terá, além dos neurologistas, ortopedistas e fisioterapeutas. Também vamos estudar a necessidade de aumentar o número de médicos atendendo. Hoje já temos esse aumento em horários de pico, mas precisamos fazer um estudo mais detalhado para ver a real demanda do PS e, assim, determinar a quantidade de médicos. Vamos melhorar o atendimento.

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