O juiz federal Sérgio Moro, embasado em razões que elencou, pediu a condução coercitiva de Luís Inácio Lula da Silva para ser ouvido pela Polícia Federal na investigação da Lava Jato. O ex-presidente obviamente não gostou e reclamou durante encontro com militantes de seu partido político e na entrevista coletiva que se seguiu. Sua proverbial arrogância mais uma vez se manifestou e sua fala deu mostras de que a cada dia mais ele se considera além do bem e do mal.
Como era de se esperar, não deu qualquer explicação a respeito das denúncias que o envolvem com empreiteiros presos por causa de um esquema de distribuição de propinas a agentes públicos e políticos. Mais uma vez, utilizou-se de um humor rasteiro, com deboche, ao tentar dizer por que acha que merece receber fortunas por uma palestra. Voltou a ligar sua vida à pobreza (que hoje já não o caracteriza) e deixou patente uma intolerância para com quem trabalha, produz e luta para sair de uma crise que prejudica o País.
O ex-presidente se diz perseguido e ignora que a maioria dos benefícios conseguidos em seus dois primeiros governos está se perdendo por causa da administração de sua sucessora e pupila. Programas sociais têm suas verbas reduzidas e a parte da população que há uma década ascendeu, hoje retorna aos níveis que ostentava no final do século passado.
A imprensa e as “zelites” não são culpadas pelas investigações que hoje batem às portas de Lula, seus familiares e amigos. A imprensa cumpre a sua parte, na busca de informações. Não foram os órgãos de mídia que criaram o esquema que atacou os cofres da Petrobras. Foram aqueles que estão presos em Curitiba (PR), verdadeiros bandidos que assaltaram a nossa maior estatal.
Lula aponta o dedo e esquece-se de que, para quem se diz com reputação ilibada, o relacionamento que mantinha com empreiteiras implicadas no maior esquema de corrupção da História do Brasil beira o espúrio. As suspeitas vêm desde a CPI dos Correios que descambou no Mensalão. Muitos dos implicados neste caso hoje também estão enrolados com a Lava Jato. Já está na hora de Lula, em vez de vociferar contra aqueles que considera inimigos, explicar a razão de aceitar tantos favores. Os brasileiros que acompanham o noticiário sabem que ele, junto a pelo menos três dos seus filhos, beneficiou-se de favorecimentos para si e o seu partido, em troca de benesses que já levaram até agora alguns dos maiores empresários do Brasil para a cadeia.
Os indícios são bastante claros. Como golpes de sorte não existem, e em geral as pessoas que conseguem amealhar bens ao longo da vida o fazem com trabalho e sacrifícios, Lula deve explicar ao povo brasileiro o que sucedeu de fato ao seu patrimônio e ao de seus filhos. Por outro lado, e é o mais importante para a república, urge esclarecer todos os fatos em que está envolvido. Quem aceita favor de empreiteiras e tolera lavagem de dinheiro em caixa dois para alavancar campanha eleitoral, comete crime. Mas sobre isso, nem uma palavra sai da boca do “mais honesto dos brasileiros” como ele se define.
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