Tem que sentir o que vem do coração:
os dedos afinados a escreverem sem distinção
cada uma das palavras que saem da boca do barulho;
das memórias soturnas a se misturarem feito baralho.
No sonho, te aceno
como quem cai da lua; sugados por uma força
a levar-nos em direções contrárias.
Te olho três vezes e me despeço,
como quem torce o nariz dizendo nunca mais voltar.
Enigmáticos, meus cabelos se enrodilham numa dança cósmica.
Estou sem o capacete espacial,
à deriva no espaço sideral.
À deriva na vida,
nesse sonho de morrer todos os dias.
Nessa esperança de que tudo passe
feito a falsa visão de uma estrela cadente.
Feito uma onda sonora a não encontrar retransmissores.
Sem torres: perdida para sempre no vácuo das tuas mentiras
De onde ainda te olho por três vezes
e nunca mais.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.