Coordenadora de Urgência admite superplantões no PS


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A coordenadora de Urgência e Emergência da Secretaria de Saúde, Rosemeire Villela, prestou depoimento à CEI ontem
A coordenadora de Urgência e Emergência da Secretaria de Saúde, Rosemeire Villela, prestou depoimento à CEI ontem
A coordenadora de Urgência e Emergência da Secretaria de Saúde de Franca, Rosemeire Villela, prestou depoimento à CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta pela Câmara Municipal para investigar os contratos assinados entre a Prefeitura de Franca e o ICV (Instituto Ciências da Vida), empresa responsável pela contratação de nove falsos médicos que atuaram no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. Para os vereadores Márcio do Flórida (PT) e Daniel Radaeli (PMDB), Rosemeire admitiu que tinha conhecimento dos superplantões “fantasmas” que alguns médicos do Instituto faziam. 
 
Uma vistoria do Cresmesp (Conselho Regional de Medicina) apontou que, em agosto de 2014, pelo menos dois médicos do ICV teriam prestado atendimento no PS durante mais de 30 dias seguidos sem nenhum intervalo. Como um ser humano trabalhar por tanto tempo sem dormir é impossível, a prática acabou conhecida como “superplantões” ou “plantões fantasmas”, porque, em boa parte dos casos, os nomes dos profissionais constavam apenas nas escalas, mas eles não estavam de fato atendendo. 
 
Aos vereadores, Rosemeire disse ter tomado conhecimento do fato, mas não tomou nenhuma atitude por recomendação do setor jurídico da Prefeitura. “Eu consultei o Jurídico a respeito, e eles disseram que não tinha problema, porque os médicos eram contratados como pessoas jurídicas”, afirmou. Ela ainda disse que a prática era comum dentro do PS. “Era a nossa rotina de trabalho.”
 
Sobre as acusações de que alguns médicos estariam falsificando fichas de atendimento para simular a presença de mais profissionais dentro do PS, Rosemeire disse não ter sido avisada de nada. “Não tenho conhecimento. Só fui saber disso pelo promotor (de Justiça).”
 
A coordenadora também admitiu que os profissionais do ICV começaram a trabalhar no PS sem qualquer comprovação de qualificação profissional. Só depois de meses e de muitas queixas, é que a coordenadora teria solicitado uma lista com os nomes dos profissionais e seus respectivos registros no CRM (Conselho Regional de Medicina).
 
Além de Rosemeire Vilela, os vereadores também ouviram Roberta da Cunha Felício Pereira, ex-secretária do ex-diretor-administrativo do Pronto-socorro Ricardo Veríssimo. Ela confirmou ter entregue na Secretaria Municipal de Saúde um envelope com cerca de 40 a 50 fichas de atendimento falsificadas. Como os demais denunciantes da prática, Roberta também acabou transferida e hoje responde a um processo administrativo aberto pela Prefeitura.
 
 

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